Cuba diz que internet é prioridade, mas 'sem pressa'

Regime reconhece a importância das novas tecnologias e cita avanços, mas culpa EUA e bloqueio por problemas

HAVANA, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2014 | 02h02

O jornal cubano Granma defendeu ontem a informatização da sociedade como uma prioridade para o país. Em um extenso editorial publicado na sua primeira página, o órgão oficial do Partido Comunista Cubano (PCC) disse que a conexão com a internet avança "sem pressa, mas sem interrupções".

Segundo o diário, Cuba tem consciência de que a internet e as novas tecnologias são instrumentos de "aprendizagem, desenvolvimento, inclusão e segurança para garantir a integridade da revolução, a defesa da cultura e do socialismo sustentável" na ilha.

O editorial diz que, apesar da "propaganda contrária, do bloqueio econômico, da vigilância redobrada e das guerras de quarta geração", Cuba está decidida a se conectar. "A decisão está tomada para beber dessa imensa fonte de conhecimentos que é a 'rodovia da informação'."

Em Cuba, o acesso à internet é restrito, não se permite conexão de residências, a não ser em casos muito especiais, e as tarifas nas salas de navegação públicas ou em hotéis são muito caras para a maior parte dos cubanos.

Cuba é o único país da América Latina qualificado como "não livre" no relatório Freedom on The Net, produzido pela ONG americana Freedom House. Com 11,3 milhões de habitantes, apenas 26% da população tem acesso à web. Redes e aplicativos sociais são bloqueados, assim como conteúdos políticos e sociais, além de haver prisão de blogueiros contrários ao regime.

O regime culpava os EUA e o bloqueio econômico por impedir que a ilha se conectasse à rede. No entanto, após a instalação, em 2011, de um cabo submarino vindo da Venezuela, Havana passou a citar problemas de infraestrutura.

Segundo dados de 2013 do Escritório Nacional de Estatísticas e Informação, havia de um milhão de computadores no país, o que representa 90 aparelhos para cada mil habitantes, mas apenas 515 mil estavam conectados.

O Granma diz que há "vontade política" de aproximar a população das novas tecnologias e cita a abertura de 154 salas de navegação públicas no país. / EFE

Tudo o que sabemos sobre:
O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.