Cuba diz que não fere os direitos humanos

O governo cubano defendeu hoje sua atuação no campo dos direitos humanos e disse que os EUA não estão em posição de criticar outros países a respeito de abusos. Felipe Pérez Roque, ministro do Exterior de Cuba, disse aos representantes de 53 países na Comissão de Direitos Humanos da ONU que "não há abusos aos direitos humanos em Cuba".Para ele, não há "justificativa para discriminar Cuba nesta comissão. Estas acusações se devem apenas à incapacidade patológica dos EUA de aceitar Cuba como um Estado independente". Espera-se que a comissão examine uma resolução condenando os abusos aos direitos humanos em Cuba. No ano passado, por estreita margem, a comissão aprovou uma moção expressando "preocupação a respeito da contínua repressão aos membros da oposição política e da detenção de dissidentes". Segundo Pérez, as críticas dirigidas a Havana são lideradas por Washington, que ao mesmo tempo resiste aos apelos para considerar a fome e outros problemas crônicos das nações em desenvolvimento como violações aos direitos humanos fundamentais. "Os EUA acusam Cuba de violar os direitos humanos. Como todos nós sabemos, esta acusação não se refere a uma autêntica preocupação com a situação dos direitos humanos em Cuba; na verdade, diz respeito a se um país pequeno, do Terceiro Mundo, pode ou não escolher seu próprio caminho", disse Pérez.Ele afirmou ainda que os EUA são "o último dos países em condições morais de julgar Cuba a respeito de direitos humanos e democracia". "Alguma vez já se viu a polícia cubana batendo em trabalhadores ou estudantes durante manifestações, atirando neles balas de borracha, gás lacrimogêneo, ou atiçando cães ou cavalos contra os manifestantes?", indagou Pérez. O chanceler cubano também chamou de "genocídio" o bloqueio comercial imposto pelos EUA a Cuba há 40 anos. Já para o embaixador americano perante as comissões da ONU em Genebra, George Moose, os EUA têm razão em criticar Cuba, "único país que não só continua sistematicamente a violar os direitos humanos de seu povo como principalmente continua rejeitando qualquer avaliação ou crítica externa, ou até mesmo cooperação".

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