REUTERS/Enrique de la Osa
REUTERS/Enrique de la Osa

Cuba diz que Obama será bem-vindo, mas não fará concessões políticas aos EUA

Em editorial, jornal oficial Granma - organismo do Partido Comunista de Cuba - disse que apesar de reaproximação entre os países, 'não há dúvida sobre ideias revolucionários e anti-imperialistas' da ilha

O Estado de S. Paulo

09 de março de 2016 | 12h04

HAVANA - O presidente americano, Barack Obama, será bem recebido em Cuba, apesar de a ilha comunista não estar disposta a fazer concessões políticas ou renunciar a "nenhum de seus princípios" revolucionários e anti-imperialistas.

"Obama será bem recebido pelo governo de Cuba e pelo povo com a hospitalidade que o distingue. Ele será tratado com toda a consideração e respeito, mas ninguém deve pretender que tenhamos que renunciar a sequer um dos nossos princípios", escreveu o diário oficial  Granma, em editorial publicado nesta quarta-feira, 9.

"Cuba reitera por sua vez a plena disposição para manter um diálogo respeitoso com o governo dos Estados Unidos e desenvolver relações de convivência civilizada. Conviver não significa ter que renunciar às ideias nas quais acreditamos, que nos trouxeram até aqui, ao nosso socialismo", enfatizou o Granma.

O diário também fez questão de deixar claro que "não pode, tampouco, haver a menor dúvida a respeito do apego irrestrito de Cuba a seus ideias revolucionários e anti-imperialistas".

De acordo com esse órgão oficial do Partido Comunista de Cuba, a visita de Obama acontecerá entre os dias 20 e 22 de março como "parte de um complexo processo até a normalização dos vínculos bilaterais", que está ainda no inicio, mas avançou sobre o único terreno possível: "o respeito, a igualdade, a reciprocidade e o reconhecimento da legitimidade do governo (cubano)".

Depois de os presidentes Obama e Raúl Castro iniciarem em 17 de dezembro de 2014 o desgelo das relações diplomáticas entre os dois países, depois de mais de meio século de isolamento, embaixadas foram inauguradas em Havana e Washington no ano passado.

"Esta será uma oportunidade para que o presidente dos Estados Unidos aprecie diretamente uma nação enredada por seu desenvolvimento econômico e social, que está melhorando o bem-estar de seus cidadãos", afirmou o periódico. / AFP e REUTERS

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