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Matt Moore, do Tampa Bay Rays, participa de jogo contra o Boston Red Sox: equipe enfrentará seleção cubana durante a visita de Obama .  AP Photo/Patrick Semansky

A DIPLOMACIA DO BEISEBOL EM CUBA

Dirigentes cubanos e da MLB, a liga profissional americana, estudam como profissionalizar atletas da ilha e driblar embargo econômico ao país

Aaron C. Davis, WASHINGTON POST

07 de março de 2016 | 17h34

WASHINGTON - O governo de Cuba apelou para uma ferramenta diplomática incomum para romper o embargo econômico com os Estados Unidos: o beisebol. O regime de Raúl Castro, o governo do presidente Barack Obama e a Major League Baseball - a liga profissional americana, tem negociado secretamente há meses para descobrir uma maneira de permitir que jogadores cubanos joguem profissionalmente nos Estados Unidos. 

Ambos os lados acreditam que a medida poderia aproximar os dois países em virtude da paixão que Cuba e Estados Unidos têm pelo esporte e seria um grande passo na normalização das relações bilaterais, que Obama pretende tornar "irreversível", até o fim de seu mandato, em janeiro de 2017.

Depois de cinco décadas de distanciamento, os Estados Unidos no ano passado retiraram Cuba da lista de países que patrocinam o terrorismo e reabriram sua embaixada em Havana. Neste ano, companhias aéreas americanas preparam para retomar as viagens entre a ilha e diversas cidades nos Estados Unidos. Diversos políticos americanos visitaram Cuba nos últimos meses para negociar futuros investimentos e oportunidade de negócio. Neste mês, Obama se tornará o primeiro presidente a visitar a ilha durante o mandato desde 1928.

Os cubanos, no entanto, querem algo que vá além do simbolismo. Durante a histórica visita, Obama pretende assistir a um jogo de exibição entre a seleção cubana de beisebol e o Tampa Bay Rays, uma equipe da Flórida, na segunda partida do gênero desde o fim da Guerra Fria. A presença de um presidente americano em um jogo de beisebol em Havana - antes impensável - pode ser o ponto de mudança necessário para um acordo para a profissionalização de jogadores cubanos, disseram dirigentes da Federação Cubana de Beisebol ao Washington Post.  

"Isso é extremamente importante para o futuro do beisebol cubano e para a relação entre nossos países", disse o diretor da federação, Heriberto Suárez, que está envolvido na preparação para a partida, marcada para o dia 22. "Estamos bastante otimistas. É possível. 

Dirigentes da MLB, que investiu alguns milhões de dólares para reformar o Estádio Nacional de Havana para o jogo, disseram que um encontro frente a frente com dirigentes cubanos será bom. Mas, segundo eles, dificilmente um acordo ocorrerá a curto prazo. 

O assessor de segurança nacional de Obama Ben Rhodes, fã do esporte, tem encorajado a "diplomacia do beisebol" como veículo para retomar laços com Cuba. Mas por enquanto, segundo ele, o presidente pretende apenas assistir ao jogo. 

"Além de políticas e projetos, esta visita marcará uma etapa histórica com o povo cubano. A ida ao jogo representa um passado comum e é um caminho para o presidente desfrutar o momento com eles", disse Rhodes. "Obama está contente que a MLB esteja se aproximando do povo cubano e espera que isso ocorra de uma maneira que beneficie nossos povos e aprofunde os laços entre nós."

Nos bastidores, pessoas que acompanham as negociações dizem que a questão financeira - especialmente quanto a MLB pagaria ao governo cubano - é o principal entrave. O embargo de 1962 inclui contratos com jogadores de beisebol. A vontade do regime cubano é isentar os esportistas do embargo, mas a FCB é uma entidade estatal, o que tornaria isso impossível. 

Atualmente, jogadores cubanos precisam desertar, fixar residência em outro país e depois mudarem-se para os Estados Unidos para poder jogar profissionalmente. Mais de 20 cubanos jogam nessas condições na MLB, com salários de US$ 130 milhões por ano./ WASHINGTON POST

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