Andrew Harnik/AP
Andrew Harnik/AP

Cuba e EUA reabrem embaixadas e retomam relações após 54 anos

Chanceler cubano visita Washington para abertura da sede diplomática e reunião com o secretário de Estado, John Kerry; americanos que vivem na ilha comemoram reaproximação

O Estado de S. Paulo

20 de julho de 2015 | 03h00

(Atualizada às 12h25) WASHINGTON - Os Estados Unidos e Cuba concretizaram nesta segunda-feira, 20, o restabelecimento de suas relações diplomáticas com as aberturas em Havana e Washington de suas respectivas embaixadas após 54 anos de ruptura. Além disso, a bandeira cubana foi colocada no salão de entrada do Departamento de Estado junto às de outros países com os quais EUA têm relações. 

A cerimônia do içamento da bandeira cubana, realizada no edifício construído em 1917 a 3 km da Casa Branca, que desde 1977 acolhia o Escritório de Interesses de Cuba, foi liderada pelo chanceler cubano, Bruno Rodríguez. Na histórica cerimônia, na qual também foi interpretado o hino de Cuba, cantado pelos presentes, a representação oficial dos Estados Unidos esteve a cargo da secretária de Estado adjunta para a América Latina, Roberta Jacobson.

A delegação presidida por Rodríguez é formada por 30 pessoas, incluindo ex-diplomatas e representantes de setores como cultura, educação, saúde e o Conselho de Igrejas de Cuba. Além de Rodríguez e Jacobson, presenciaram o içamento da bandeira diante da sede diplomática cubana a diretora geral para os EUA do Ministério das Relações Exteriores de Cuba, Josefina Vidal. Jacoson e Vidal lideraram as negociações iniciadas em dezembro para normalizar as relações bilaterais.

Na tarde desta segunda-feira, o chanceler Bruno Rodríguez se dirigirá ao Departamento de Estado para se reunir com o colega, John Kerry. Será a primeira visita de um responsável da diplomacia cubana a chancelaria americana desde a ruptura das relações, em 1961. Depois, os dois darão uma entrevista coletiva - a primeira conjunta de um secretário de Estado e um chanceler cubano em mais de meio século.

Ao mesmo tempo que os cubanos fizerem sua cerimônia, a embaixada dos Estados Unidos em Havana também foi reaberta, mas uma bandeira americana só será hasteada quando Kerry fizer uma esperada visita, prevista para entre agosto e setembro - segundo informações da rede de televisão "CNN", o secretário de Estado dos EUA irá à ilha comunista em 14 de agosto -, no que será a primeira viagem de um secretário de Estado dos EUA a Cuba desde 1945.

“Não haverá nenhuma bandeira tremulando na embaixada americana em Havana até que o secretário de Estado chegue para oficializar a cerimônia. Não há nenhum requisito legal para içar a bandeira” no dia da abertura, disse um alto funcionário americano. 

Com a reabertura de embaixadas, os até agora chefes das respectivas seções de interesses, José Ramón Cabañas, de Cuba, e Jeffery DeLaurentis, dos EUA, passarão a ser encarregados de negócios até que ambos governos nomeiem seus respectivos embaixadores. 

Empolgação. A reabertura das embaixadas era esperada com excitação entre os cubanos, que desejam uma melhora nas condições de vida, e mesmo entre as centenas de americanos que vivem na ilha. “Pensei que ia morrer antes que isso acontecesse”, disse, ainda incrédula, a americana Rena Pérez, de 80 anos, que chegou a Cuba há 56 anos, com seu companheiro cubano. Graham Sowa, um americano que estuda medicina em Havana disse estar encantado de que finalmente os EUA vejam Cuba como um país independente”, com o qual é possível “cooperar em pé de igualdade”. 

Apesar do restabelecimento das relações diplomáticas, EUA e Cuba ainda terão questões pendentes em seu processo de normalização de relações que, segundo ambos os lados reconhecem, não poderá ser concluído até a suspensão do embargo imposto à ilha em 1962, algo que só pode ser feito pelo Congresso americano.

“É um momento histórico”, disse o diplomata e analista cubano Carlos Alzugaray. Ele acrescentou que agora é que começa o trabalho difícil: resolver disputas espinhosas, como reclamações mútuas em busca de reparações econômicas e a exigência de Washington de que Cuba melhore a questão dos direitos humanos e democracia. 

“A importância da reabertura das embaixadas é que se pode ver confiança e respeito. Isso não quer dizer que não haverá nenhum conflito, mas certamente o modo como ele será tratado mudará por completo”, disse Alzugaray. / EFE, REUTERS AP e AFP 

Tudo o que sabemos sobre:
CubaEUABarack ObamaRaúl Castro

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.