Cuba e EUA retomarão negociações sobre migração

Diálogo começa em julho, após conversas bem-sucedidas entre delegações de Havana e Washington

HAVANA, O Estado de S.Paulo

20 Junho 2013 | 02h03

Os governos de Cuba e dos Estados Unidos retomarão em julho as negociações sobre o fluxo de pessoas entre os dois países. O anúncio foi feito ontem, após uma série de encontros técnicos entre emissários de Havana e Washington. Segundo o Departamento de Estado, a medida não representa uma mudança significativa na política americana em relação à ilha. As negociações estavam paradas havia dois anos.

"Seguir garantindo uma migração segura entre Cuba e os Estados Unidos é consistente com o nosso interesse de promover mais liberdades individuais e direitos humanos no país", disse uma fonte do Departamento de Estado.

"A delegação cubana considerou satisfatório o desenvolvimento das negociações e qualificou de proveitoso o intercâmbio", informou em nota a chancelaria cubana. O encontro durou dois dias e acabou ontem, mas não foram divulgados mais detalhes sobre ele.

Os diplomatas castristas ressaltaram a necessidade de mudar a política americana de embargo econômico a Cuba, que dura mais de cinco décadas. "A delegação cubana ressaltou que não será possível implementar um serviço postal estável, de qualidade e seguro até que não se modifiquem os obstáculos derivados do bloqueio", diz a nota.

As negociações, que ocorreram em duas ocasiões durante o governo de Bill Clinton (1993-2001), foram suspensas por George W. Bush em 2003. Foram retomadas em 2009 por Barack Obama, mas a prisão do americano Alan Gross, em 2011, fez com que elas fossem interrompidas novamente. Na ocasião, Gross foi condenado a 15 anos de prisão por prover equipamento de comunicação e conexão a internet para dissidentes cubanos.

O governo de Obama vincula um avanço nas relações bilaterais à libertação de Gross. Cuba quer incluir como contrapartida a libertação de quatro agentes de inteligência do país presos nos EUA. A delegação cubana foi chefiada pelo Chefe da Sessão de Interesses de Cuba em Washington José Ramón Cabañas. A equipe americana foi liderada pela Diretora de Assuntos Internacionais dos Correios dos EUA, Lea Emerson.

Em janeiro, o governo castrista atenuou suas restrições a viagens internacionais de cubanos. O relaxamento nas regras migratórias beneficiou até mesmo dissidentes do regime, que tinham dificuldades em obter permissão para deixar o país, como foi o caso da blogueira e colunista do Estado Yoani Sánchez, e de Berta Soler, líder das Damas de Branco. / REUTERS

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