ADALBERTO ROQUE/AFP
ADALBERTO ROQUE/AFP

Cuba e Estados Unidos se preparam para visita do papa Francisco

Viagem do pontífice aos dois países está marcada para setembro; em Havana e em Nova York, trabalhadores constroem estruturas que serão utilizadas pelo líder da Igreja Católica

O Estado de S. Paulo

07 de agosto de 2015 | 12h10

HAVANA / NOVA YORK - Além da retomada de laços diplomáticos entre Cuba e Estados Unidos, que resultou na reabertura da embaixada cubana em Washington em julho e terá novo capítulo na próxima semana com a abertura oficial da representação americana na ilha, outro tema une os dois países: os preparativos para a visita do papa Francisco, em setembro.

Francisco desempenhou um papel crucial nas negociações secretas que levaram Washington e Havana a iniciarem um processo de aproximação em dezembro passado, deixando para trás meio século de embates.

Em Havana, uma equipe de construção ergue o altar na Praça da Revolução, coração do poder político em Cuba, onde o pontífice celebrará uma missa campal como fizeram seus antecessores João Paulo II, em 1998, e Bento XVI, em 2012. 

Do alto do altar, Francisco poderá ver à sua esquerda a icônica imagem de seu compatriota Ernesto Che Guevara e à sua direita o memorial José Martí, herói nacional na independência da ilha perante os espanhóis.

No entanto, quando as estruturas para receber João Paulo II e Bento XVI foram montadas, a escultura de 36 metros de Che que cobre a fachada do Ministério do Interior - inspirada em uma famosa foto do cubano Alberto Korda - ficou, respectivamente, à direita e à frente dos altares.

Ao lado do altar de ferro e madeira, os trabalhadores também constroem uma plataforma para o coro para cantar na missa, e duas plataformas para a imprensa, deixando espaço para 4.000 assentos para convidados especiais, incluindo o presidente de Cuba, Raúl Castro.

O papa argentino realizará outras duas missas em Cuba: uma na Praça da Revolução de Holguín, em 21 de setembro, e outra na Basílica da Virgem da Caridade do Cobre, padroeira nacional, no dia seguinte, antes de viajar para os Estados Unidos.

Nova York. Foi apresentada na quinta-feira, em Port Chester, ao norte da cidade de Nova York, a cadeira que será utilizada por Francisco quando ele celebrar uma missa no ginásio Madison Square Garden, depois da viagem a Cuba.

"É uma sensação bonita quando as pessoas contam com você", afirmou o mexicano Héctor Rojas, que chegou aos Estados Unidos há 10 anos e é um dos envolvidos na construção do trono de madeira. 

"Poderiam ter contratado uma grande empresa, mas nos escolheram. Estamos muito felizes em ajudar", disse o imigrante hispânico, em referência à organização Caridades Católicas da Arquidiocese de Nova York, que contratou a construção da peça. 

Além do mexicano Rojas, o nicaraguense Francisco Santamaría, de 61 anos, e o dominicano Fausto Hernández, de 51 anos, trabalham na construção da cadeira. "É um grande prazer podermos fazer isto. O papa é nosso ídolo", disse Santamaría, que mora nos EUA há 22 anos e há 12 tem um visto de permanência.

O dominicano Hernández, um imigrante ilegal - assim como Rojas -, afirmou que está "mais do que orgulhoso de ser um dos escolhidos" para a tarefa.

Durante a visita a Nova York, Francisco se encontrará com alguns trabalhadores durante uma visita a escola católica do bairro hispânico East Harlem, em 25 de setembro. Lá, ele também se encontrará com as mulheres de alguns deles, que estão tecendo e bordando 10 mantos brancos para serem utilizados durante na visita do pontífice.

Destes mantos, dois deles - com a imagem de um coração e com um pomba - serão usados pro Francisco no altar do Madison Square Garden. Os outros serão colocados nas mesas da escola onde os hispânicos encontrarão Francisco.

"Pedirei muitas bênçãos para minha família", disse emocionada Águeda Zavaleta, uma mexicana de 32 anos que conhecerá o papa na ocasião.

Durante a visita aos EUA, além de Nova York, Francisco também passará pela Filadélfia e por Washington, onde fará um pronunciamento durante uma sessão conjunta no Congresso americano. / AFP e AP

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