Cuba e UE avançam em negociação de acordo bilateral

Diálogo político ainda enfrenta resistência cubana em questões de direitos humanos e liberdade de expressão

BRUXELAS, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2015 | 02h06

Cuba e União Europeia (UE) concluíram ontem em Bruxelas, na Bélgica, a quarta rodada de negociações para um acordo comercial com avanços na área econômica, de acordo com fontes diplomáticas europeias. A ilha e o bloco comunitário, no entanto, ainda têm divergências quanto ao diálogo político, especialmente nas áreas de direitos humanos e liberdade de expressão.

"Revisamos todas as áreas de cooperação e comércio, com avanços muito positivos. Temos um acordo geral sobre cooperação, que é o maior do futuro pacto", disse um diplomata da UE à agência France Presse, sob condição de anonimato. "Tivemos menos avanços na questão política. Não é segredo que nossas visões sobre direitos fundamentais divergem da visão dos cubanos."

Diplomatas da UE negociam uma maneira de conciliar as divergências com os cubanos, mas admitem que a negociação é difícil. "Precisamos encontrar um equilíbrio adequado nessa equação", acrescentou a fonte.

Por meio de nota, a chancelaria cubana considerou que, mesmo no que diz respeito ao diálogo político, as conversas foram construtivas. "Houve um intercâmbio útil que permitiu a expressão das respectivas posições e aspirações das duas partes", diz a nota.

As delegações foram chefiadas por Abelardo Moreno, vice-chanceler cubano, e Christian Leffler, diretor para as Américas da diplomacia da UE. A quinta rodada de negociações ocorrerá em setembro, em Havana. Até lá, a delegação da UE espera obter avanços nas questões relativas a direitos humanos.

A próxima reunião preparatória para o encontro de setembro contará com um "diálogo estruturado" sobre direitos humanos. A data para essa discussão, no entanto, ainda não foi definida.

Cuba e União Europeia decidiram, em 2012, retomar as conversas para normalizar suas relações, interrompidas em 2003, quando Havana lançou uma onda de repressão contra dissidentes conhecida como Primavera Negra.

Reaproximação. Ainda ontem, Estados Unidos e Cuba completaram seis meses de retomada de relações diplomáticas. Apesar das medidas de aproximação, no entanto, a reabertura de embaixadas em Havana e Washington ainda não foi concluída.

Em dezembro de 2014, os presidentes Barack Obama e Raúl Castro deram início a um processo "longo e complexo" para pôr fim a um distanciamento diplomático que já durava mais de meio século.

Seis meses depois, os ex-rivais da Guerra Fria realizaram quatro rodadas de diálogo oficiais e uma preliminar sobre direitos humanos. Cuba saiu da lista americana de países patrocinadores do terrorismo. Castro e Obama, em abril, fizeram uma reunião histórica na Cúpula das Américas, realizada no Panamá, evento do qual o governo da ilha participou pela primeira vez. / EFE e AFP

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