Cuba enfrenta escassez de alimentos

Medidas para conter especulação após passagem de furacões agravam crise

Reuters, AFP e AP, Havana, O Estadao de S.Paulo

03 de outubro de 2008 | 00h00

Os mercados cubanos começaram a evidenciar esta semana a escassez de alimentos sobre a qual o governo havia advertido após a passagem dos furacões Gustav e Ike, com suas prateleiras cada vez mais vazias e menos produtos do que os habituais.A escassez foi agravada em Havana com a redução do fornecimento de alimentos em reação à decisão do governo de impor um controle de preços. Em um mercado da capital cubana, uma compradora disse que todos os mercados estavam com as prateleiras praticamente vazias. "São momentos difíceis, pois tudo foi muito afetado (pelos furacões)", disse.Por causa de problemas na agricultura estatal, Cuba já vinha lutando para suprir suas necessidades de alimentos e importava 80% do alimento que o governo distribui à população a preços subsidiados. Mas os furacões Gustav e Ike pioraram a situação, destruindo 30% das plantações da ilha e causando danos de US$ 5 bilhões. Este ano, Cuba gastará US$ 2 bilhões na importação de grãos, leite e outros alimentos.Para fazer frente à escassez dos alimentos e à especulação, o governo cubano adotou várias medidas esta semana, como o racionamento da venda de alguns produtos agrícolas. Segundo o jornal oficial Juventude Rebelde, cada consumidor poderá comprar no máximo 4,5 quilos de arroz e de legumes, 2,3 quilos de feijão e 10 cabeças de alho.O governo também fixou esta semana o preço de 16 alimentos básicos, congelou outros e prometeu rigor contra os especuladores.As autoridades reforçaram as inspeções em vários mercados onde os agricultores vendem seus excedentes a preços regulados pela oferta e pela demanda.Segundo o jornal, um maior controle afugentou os intermediários que forneciam produtos obtidos ilegalmente. O diário disse que os elevados preços nos mercados de oferta e demanda atraíam alimentos desviados até mesmo de hospitais e escolas.De acordo com o Juventude Rebelde, o governo reordenará no próximo ano seu sistema de produção e distribuição agrícola para garantir que os melhores produtos cheguem aos mercados estatais.Os cubanos recorrem aos dois tipos de mercado para completar a cesta básica que, apesar do preço subsidiado, é insuficiente.

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