REUTERS/Enrique de la Osa
REUTERS/Enrique de la Osa

Cuba espera conseguir ‘no curto prazo’ acordo com EUA sobre voos comerciais e correio

Cubanos e americanos mantiveram em setembro suas primeiras conversas sobre a normalização do serviço aéreo, um passo muito esperado pelas grandes companhias aéreas americanas

O Estado de S. Paulo

11 de novembro de 2015 | 09h39

WASHINGTON - O governo de Cuba afirmou na terça-feira que espera conseguir "no curto prazo" quatro acordos com os EUA, entre eles um que estabeleceria voos comerciais regulares entre os dois países e outro que retomaria o correio postal direto.

A comissão bilateral formada após o restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países manteve ontem sua segunda reunião em Washington e programou uma nova sessão para fevereiro em Havana, informaram os dois governos após a reunião.

"As duas partes analisaram os passos dados até agora, que podem levar à adoção de acordos concretos em esferas de benefício mútuo no curto prazo, como os voos regulares entre os dois países, a proteção do meio ambiente, o correio postal direto e o combate ao narcotráfico", disse a Chancelaria cubana.

EUA e Cuba mantiveram em setembro em Havana suas primeiras conversas formais sobre a normalização do serviço aéreo entre os dois países, um passo muito esperado pelas grandes companhias aéreas americanas, que pressionam Washington para fechar um acordo antes do fim de 2015.

Os americanos estão proibidos de viajar como turistas a Cuba em razão de um veto do Congresso. Assim, o estabelecimento de voos comerciais só beneficiaria um grupo reduzido de cidadãos.

Apesar de o embargo econômico não figurar na agenda definida em setembro para o trabalho da comissão bilateral, cujo objetivo é avançar na normalização das relações, Cuba voltou a colocar o assunto na pauta da reunião realizada no Departamento de Estado.

"A parte cubana insistiu como tema prioritário a necessidade da suspensão do bloqueio", cuja eliminação "é essencial para a normalização das relações", indicou a Chancelaria cubana em comunicado.

O governo do país caribenho também reivindicou a solução de temas como "a ocupação ilegal de uma porção do território cubano pela Base Naval em Guantánamo, e a continuidade das transmissões de rádio e televisão ilegais dos EUA para Cuba, e dos programas de desestabilização e subversão da ordem constitucional cubana".

A comissão bilateral revisou "os avanços em prioridades como assuntos regulatórios, telecomunicações, reivindicações (de compensação econômica), proteção do meio ambiente, tráfico de pessoas, direitos humanos, migração e aplicação da lei", segundo um comunicado do Departamento de Estado dos EUA.

As delegações "programaram outros diálogos que continuarão em breve sobre imigração e tráfico humano", falaram sobre possíveis visitas de funcionários dos dois países e da possibilidade de "expandir a cooperação" na área de saúde, de acordo com o comunicado de Cuba.

O encontro ocorreu sob um clima "construtivo", segundo a Chancelaria cubana, e "respeitoso, cooperativo e produtivo", nas palavras do Departamento de Estado americano.

A delegação cubana esteve liderada pela diretora-geral para os EUA no Ministério das Relações Exteriores, Josefina Vidal, e a americana pelo subsecretário adjunto do Departamento de Estado para a América do Sul e Cuba, Alex Lee. 

Cuba e EUA não contam com voos regulares entre si há mais de 50 anos. Em 2009, eles retomaram o diálogo para tentar restabelecer o serviço postal entre os dois países, interrompido em 1963, um ano após o início do embargo americano. /EFE e AFP

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