Cuba extingue o Ministério do Açúcar

Indústria açucareira, que já foi a principal fonte de receita da ilha, passará a ser coordenada por novo grupo estatal; meta é reverter a crise no setor

HAVANA, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2011 | 03h01

O presidente cubano, Raúl Castro, decidiu extinguir o histórico Ministério do Açúcar de Cuba, organismo responsável por coordenar a produção e negociação do insumo que já foi a principal fonte de receita do país. A manobra é parte de tímidas reformas governamentais, sociais e econômicas que Raúl promove na ilha - após o anúncio das medidas de abertura no 6.º Congresso do Partido Comunista Cubano, em abril.

"O Conselho de Ministros foi informado que, após análises realizadas no setor (açucareiro), foi tomada a decisão de se extinguir o Ministério do Açúcar, pois atualmente (a pasta) não cumpre nenhuma função estatal", afirmou ontem o Granma, um dois veículos da imprensa oficial de Cuba. Para ocupar o lugar do que já foi o mais importante ministério cubano, o governo de Raúl Castro criou o Grupo Empresarial da Agroindústria Açucareira.

Segundo o presidente, a nova estatal servirá para redimensionar o setor da cana e aliviar sua estrutura para "elaborar um sistema empresarial capaz de gerar, com suas exportações, moeda livremente conversível para financiar os gastos (dessa indústria)".

De acordo com o Granma, "a base produtiva do setor se articulará em torno das unidades mais eficientes e as açucareiras se concentrarão em 13 empresas provinciais".

"Não se pode esquecer que o setor açucareiro aglutina uma das forças operárias mais revolucionárias que o país teve no capitalismo", disse Raúl, em alusão à indústria que chegou a converter-se na locomotiva da economia cubana.

Redução brusca. Durante o congresso do PC, em abril, o presidente criticou duramente os mecanismos do setor açucareiro de Cuba, que tem registrado quedas drásticas de produção desde o fim da União Soviética.

Em 1990, a ilha produziu cerca de 8 milhões de toneladas de açúcar não refinado. Em 2009, apenas 1,1 milhão de toneladas do insumo foram produzidas, e a indústria açucareira voltou a registrar índices similares aos do início do século 20. Em 1905, segundo o Granma, o país produziu 1,2 milhão de toneladas de açúcar.

Os números mais recentes da indústria açucareira ainda não foram divulgados pelo governo de Havana. Mas economistas cubanos afirmam que a queda na produção do insumo continua e cada vez menos moinhos estão em funcionamento na ilha.

No ano passado, o então ministro da Economia, Marino Murillo - agora um dos principais responsáveis pela aplicação das cerca de 300 reformas anunciadas durante o congresso comunista -, afirmou que, a partir de 2011, a meta do setor é aumentar a produção para 2,5 milhões de toneladas de açúcar em até quatro anos. / REUTERS

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