Cuba fracassa no crescimento

Metas de investimento estabelecidas pelo governo não foram nem deverão ser atingidas

PAVEL, VIDAL, CUBA STANDARD, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2014 | 02h07

A economia cubana encerrou 2013 com um crescimento de 2,7% do PIB, abaixo da meta oficial e do que se espera após seis anos de reformas estruturais. Há muitas explicações para o fracasso, mas um dos motivos mais significativos parece ser a dificuldade em satisfazer os planos de investimento.

As autoridades do país depositaram sua maior esperança de crescimento num conjunto de projetos de investimento para refinarias e instalações petroquímicas, prospecção de jazidas oceânicas de petróleo, projetos imobiliários envolvendo campos de golfe, produção de níquel, manufatura leve e construção civil. Alguns se materializaram, mas, no geral, ficaram aquém.

No gráfico ao lado, compara-se o volume anual de investimentos planejados e investimentos reais de 2009 a 2013. Nota-se que, em cada ano, o investimento real ficou, em média, 20% abaixo do planejado.

Em 2011 e 2012, o governo planejou um aumento nos investimentos de aproximadamente 25% ao ano. Mas, na prática, a formação bruta de capital fixo - em preços constantes - cresceu apenas 7,1% no primeiro ano e 8,6% no segundo. O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos da Assembleia afirmou em dezembro de 2012 que, para 2013, era planejado um crescimento de 35% nos investimentos.

Entretanto, de acordo com dados publicados pelo Escritório Nacional de Estatísticas e Informações (Onei, na sigla em espanhol) para a primeira metade de 2013, os investimentos cresceram apenas 4,4%. De acordo com nossas estimativas, é provável que tenham encerrado o ano com um crescimento muito próximo do zero. A proporção de formação bruta de capital fixo em relação ao PIB permaneceu em média na marca dos 13,6% durante os últimos seis anos (medida a preços constantes), muito abaixo da média na América Latina, que ficou acima de 20%.

O fracasso dos planos de investimento pode ser responsabilidade dos ineficientes empreendimentos estatais, das dificuldades em se valer das fontes internacionais de financiamento, ou da ausência de mudanças na política de investimentos estrangeiros do país. Portanto, para o governo, a opção de maior agilidade para concretizar os planos de investimento e acelerar o crescimento do PIB é abrir mais a economia para o capital internacional.

Para isso, um passo de grandes consequências foi dado em março, com a aprovação na Assembleia Nacional da nova lei de investimento estrangeiro. A nova legislação deve romper com a tendência de aprovar apenas investimentos de grandes proporções, observada desde o início dos anos 2000, para o investimento estrangeiro chegar às novas cooperativas e empreendimentos privados emergentes. Em especial, os cubanos que moram no exterior estão acompanhando atentamente os sinais enviados pela nova política em termos de possibilidades e garantias de investimento.

É possível elaborar a previsão de um cenário no qual o aumento do investimento chegue a 20% em 2015 e 25% em 2016. Este panorama pretende capturar o efeito de uma abertura ao capital estrangeiro, de modo que o governo possa atingir metas de crescimento nos investimentos de 25%.

Na previsão, o crescimento do PIB aceleraria para 6,3% em 2015 e 6,7% em 2016, como resultado do choque positivo de investimento, que tem sua origem na abertura para o capital estrangeiro. O crescimento econômico médio para o período de 2012 a 2016 ficaria em 4,1%, mais próximo da meta de 4,4%.

Em resumo, a nova lei de investimento estrangeiro é a última oportunidade para que a reforma se aproxime das metas de crescimento planejadas até 2016. Ao mesmo tempo, vai ajudar a diversificar as relações internacionais da ilha, além de reduzir a vulnerabilidade associada ao elo com a Venezuela. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

É ECONOMISTA CUBANO RADICADO

NA COLÔMBIA, CHEFE DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DA PONTIFÍCIA

UNIVERSIDADE JAVERIANA, DE CALI

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