Cuba impede protesto de mulheres de dissidentes

Agentes de segurança à paisana não permitiram que mães e esposas de dissidentes realizassem hoje uma marcha na periferia de Havana, capital de Cuba, para exigir a libertação de seus entes queridos. As mulheres foram levadas para um ônibus quando se deitaram na rua em protesto. Foi o segundo dia seguido que uma marcha pacífica das Damas de Branco se transformou numa gritaria, elevando as tensões um dia antes do aniversário de uma importante medida do governo contra os dissidentes.

AE-AP, Agencia Estado

17 de março de 2010 | 17h17

O grupo é formado por mulheres e parentes de alguns dos 75 dissidentes detidos numa abrangente operação do governo no dia 18 de março de 2003. Cerca de 53 desses dissidentes continuam encarcerados, muitos sentenciados a décadas de prisão. Quando cerca de 30 das Damas de Branco deixaram uma igreja no bairro de Parraga, centenas de partidários do governo se juntaram ao redor delas gritando "Vida Longa a Fidel" e "Saiam, vermes!"

Tais "atos de repúdio" tornaram-se um tipo de ritual em Cuba. O governo afirma que eles surgem espontaneamente como resultado da aversão aos dissidentes. Algumas pessoas acreditam que o governo os organiza e que muitos que participam desses atos são integrantes das forças de segurança do Estado.

Na medida em que as mulheres desciam a rua segurando flores cor-de-rosa, uma multidão as seguiu. A cada esquina, a polícia cubana e agentes do Ministério do Interior pediam às mulheres que voluntariamente encerrassem sua marcha e se abrigassem num ônibus do governo, mas elas recusaram.

Finalmente, um grupo de agentes de segurança femininas usando uniformes cor de oliva do Ministério do Interior e uniformes azuis da polícia formaram um cordão no final do quarteirão e impediram que a marcha continuasse. Quando as manifestantes se deitaram na rua em protesto, agentes do governo as colocaram no ônibus à força. Não se sabe para onde elas foram levadas.

A situação dos direitos humanos em Cuba tem sido causa de tensões internacionais desde a morte de Orlando Zapata Tamayo em 23 de fevereiro após uma longa greve de fome na cadeia. Outro homem, Guilhermo Fariñas, se recusa a comer ou beber desde a morte de Zapata Tamayo, embora permita ser alimentado por via intravenosa no hospital local.

O Parlamento Europeu aprovou na semana passada uma condenação a Cuba por causa da morte de Zapata Tamayo e um grupo de artistas e intelectuais, incluindo o diretor de cinema Pedro Almodóvar, começou a circular um abaixo assinado criticando as ações do governo cubano. Ontem, o grupo de direitos humanos Anistia Internacional pediu a libertação de todos os presos políticos.

Cuba contra-atacou as críticas recebidas, dizendo que não vai aceitar pressões ou ceder a chantagens. O governo descreve os dissidentes como criminosos comuns que são pagos pelos Estados Unidos para desestabilizar o governo e diz que cada país tem o direito de prender traidores.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.