Stringer/REUTERS
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Cuba impõe controle de preços para deter crise econômica

Situação foi agravada no país após os EUA aplicarem sanções econômicas

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2019 | 17h40

HAVANA – O governo cubano impôs na terça-feira, 31, novos controles de preços em todos as empresas privadas e estatais em resposta à crise econômica agravada pelas sanções impostas pelos Estados Unidos.

As resoluções publicadas no diário oficial vetam o aumento de preços em todos os produtos do atacado e varejo, exceto importados e produtos distribuídos pelo estado onde restrições não podem ser aumentadas.

“No fim, eles suspenderam o que havia de mercado”, defendeu um economista cubano, que pediu para não ser identificado, devido às restrições em conceder entrevistas a jornalistas estrangeiros.

Enquanto companhias estatais dominam a economia de Cuba, reformas implementadas nos últimos anos levaram ao crescimento do setor privado de cooperativas, fazendeiros, pequenas empresas e autônomos, que consequentemente trabalham com preços estabelecidos de acordo com o mercado.

A resolução 302 do ministério de Finanças e Preços estabelece que todos os trabalhadores atuantes no setor denominado não-estatal “não podem aumentar os preços atuais e tarifas em produtos e serviços”.

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel havia anunciado mais cedo neste mês que o governo adotou uma série de medidas de emergência para lutar contra a estagnação econômica e diminuir os ganhos de moedas estrangeiras que começaram em 2015, quando a economia da Venezuela, principal aliado, implodiu, além do agravamento disto em consequência das novas sanções econômicas dos EUA.

As medidas anunciadas pelo governo cubano incluem aumento em salários e pensões para mais de 2 milhões de servidores públicos, somando mais de 8 bilhões de pesos por ano, ou aproximadamente 13% do orçamento de 2019.

Díaz-Canel afirmou que outras medidas ainda serão anunciadas, incluindo controle dos preços e políticas focadas no estímulo de produção local para acompanhar o aumento da demanda dos consumidores, sem repercutir na inflação.

O proprietário de uma lanchonete, Manuel Rodriguez, disse que não tem problemas com os controles de preços somente se o estado e o setor informal entrarem em um acordo, o que ele duvidou: “Eu concordo e iria consentir com a regulação dos preços, mas os produtos nacionais são escassos e precisamos apelar aos importados, que são mais caros”, defendeu.

O ex-economista do banco central cubano e professor da Universidade Javriana Cali, na Colômbia, Pavel Vidal, aponta que as medidas podem gerar problemas no futuro. “Quanto mais controlam os preços nos mercados formais, mais inflação e instabilidade tomam conta dos mercados informais e menos incentivo é dado ao setor produtivo”, avalia. / REUTERS

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