Cuba já mudou, segundo Diretório Democrático do país

O secretário do Diretório Democrático Cubano, Orlando Gutiérrez, afirmou nesta sexta-feira em visita ao Uruguai que em Cuba as coisas mudarão mesmo que Fidel Castro volte ao poder, já que "o povo sabe que o fim das principais bases do regime já começou". "Em um regime tão personalista como o cubano, construído ao redor da figura de um caudilho que permanece 47 anos governando, a transferência do poder, mesmo que seja a seu irmão e de maneira temporária, debilita a figura de um líder que foi tido como um deus", assegurou Gutiérrez em declarações publicadas nesta terça-feira pelo diário El Observador.Gutiérrez, de 40 anos, é secretário nacional do Diretório e professor de Ciências Políticas na Universidade Internacional da Flórida, com sede em Miami (EUA), onde mora desde que sua família saiu de Cuba, quando ele tinha cinco anos."Mesmo que Fidel volte ao poder, o povo sabe que as principais bases do regime começaram a ruir", afirmou. Gutiérrez disse que algo parecido aconteceu com Francisco Franco, na Espanha. "Quando ele adoeceu, permaneceu 30 dias longe do poder e quando voltou não foi o mesmo", lembrou.Entretanto, ele previu que "os que estão ao redor de Fidel Castro vão tentar prolongar a ditadura e manter o poder". Gutiérrez, que realiza um giro diplomático pelo Cone Sul-americano, disse que sua organização descarta a possibilidade de uma rebelião em Cuba, como sugerem alguns grupos de exilados cubanos."Nós apoiamos a resistência civil dentro de Cuba e induzimos a uma cooperação com o regime", concluiu. Segundo ele, a comunidade internacional, em especial os países da América Latina, "devem promover a democracia no país, sobretudo porque agora o regime está debilitado"."As autoridades cubanas afastam o fantasma de uma possível invasão dos EUA para aterrorizar a população e distraí-la, o que é algo típico do castrismo, mas não vejo nenhum indício de que isso possa acontecer", afirmou Gutiérrez.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.