AFP PHOTO / Yamil LAGE
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Cuba libera acesso à internet 3G em telefones celulares

Um dos países mais desconectados do mundo deu nesta quinta-feira um novo passo em direção à abertura da internet com a ativação do serviço de dados móveis com tecnologia 3G

O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2018 | 05h00

HAVANA - Cuba, um dos países mais desconectados do mundo, deu nesta quinta-feira, 6, um novo passo em direção à abertura da internet com a ativação do serviço de dados móveis com tecnologia 3G. A novidade era muito esperada pelos cubanos, apesar dos altos preços em comparação com os baixíssimo salários da população.

Desde as primeiras horas da manhã, a estatal de telecomunicações Etcsa começou a enviar mensagens de texto para avisar sobre o novo serviço aos clientes que participaram dos três testes gratuitos realizados pela companhia neste ano. A estreia da rede 3G foi divulgada por todos os veículos da imprensa e celebrado pelo próprio presidente Miguel Díaz-Canel. “Continuamos avançando na informatização da sociedade”, escreveu o presidente n oTwitter.

Os mais de 5 milhões de usuários terão acesso à conexão 3G de forma escalonada até sábado. Para usarem o serviço, terão de pagar US$ 0,10 centavos por megabyte (MB) ou comprarem um dos quatro pacotes de dados oferecidos pela Etcsa, que vão de 600 MB, por US$ 7, a 4 gigabytes (GB), por US$ 30 – o salário médio em Cuba é US$ 30. “É ótimo para quem tem família fora. Até agora, a velocidade é boa”, afirmou Yunet.

Nem tão sortudo, Daniel passou a manhã tentando se conectar, mas em seu aparelho só recebia uma mensagem de que a Etcsa estava “processando a solicitação”. “Para mim é muito benéfico, porque não tenho telefone fixo nem acesso à internet em casa”, disse Henry, um técnico de informática que deixou seu emprego no setor estatal.

Nas redes, a expectativa pela chegada da conexão 3G foi alvo dos “memes”. Vários afirmavam que próxima grande questão que os cubanos teriam de enfrentar era escolher entre comer, se vestir ou se conectar, em referência ao alto custo de vida.

Na balança de muitos cubanos, no entanto, parece pesar mais o acesso à rede, “porque já não será necessário estar em um lugar específico para conectar e será possível fazer isso de casa”, indicou Ángel Rafael, usuário de um dos 1.200 pontos públicos de Wi-Fi abertos no país desde 2015.

Há três anos, o governo implementa uma “política de informatização” para corrigir o atraso histórico em relação ao resto do mundo em termos de conexão e tecnologias. Neste ano, autorizou a instalação de pontos de internet em residências, algo permitido antes apenas para alguns profissionais.

A tecnologia 3G, que hoje cobre apenas 66% do território cubano, era o maior desafio para o governo, que havia prometido que, antes do final do ano, seria possível acessar a internet a partir da rede móvel de celulares.

“Acho que é um passo à frente, mas temos de ver quão preparada está a infraestrutura para aguentar os acessos com a qualidade requerida por esse tipo de serviço”, alertou Norges Rodríguez, cofundador da Yucabyte, um projeto comunicativo focado em tecnologias. Ele lembrou que, nos testes gratuitos, a qualidade de conexão era ruim e “comprometia a estabilidade de outros serviços da rede móvel”, como o envio de mensagens de texto e voz. A Etcsa, no entanto, garante que o problema já foi solucionado.

Rodríguez também afirmou que a censura que acompanhou a implantação do acesso à internet em Cuba desde a sua criação “tende a desaparecer”. “Se o medo de que muitas pessoa se conectem já desapareceu, também deve sumir o medo de que elas escolham o conteúdo com o qual nos informamos.” / EFE

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