Cuba libera construção de igreja católica pela 1ª vez em 55 anos

Templo que será erguido no município de Sandino terá capacidade para 200 fiéis e é o primeiro desde a Revolução Cubana

HAVANA, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2014 | 02h01

O governo de Cuba autorizou a construção de um novo templo da Igreja Católica na ilha pela primeira vez em 55 anos. O boletim dominical da Igreja no país informou que a obra será financiada por fiéis cubanos que vivem nos Estados Unidos.

"(A igreja) será no município de Sandino, na Província de Pinar del Río", especificou o boletim Vida Cristã, distribuído aos fiéis antes das missas nos fins de semana. "Isso será possível graças à colaboração da paróquia San Lorenzo, em Tampa (Flórida), nos EUA, composta em grande parte por fiéis cubanos."

Estabelecido no começo da década de 1960, Sandino é um município com cerca de 37 mil habitantes, no extremo oeste da ilha, em uma região dedicada, principalmente, a plantações de cítricos e de tabaco.

A nova paróquia terá capacidade para 200 pessoas e ocupará uma área aproximada de 800 metros quadrados, como explicou o boletim, informando ainda que seu titular será o padre Cirilo Castro.

Sandino foi povoada no começo do processo revolucionário de Cuba por camponeses retirados das montanhas de Escambray, no centro do país. Eles eram acusados de colaborar com grupos armados que instalaram uma guerrilha contrarrevolucionária para derrotar as forças de Fidel Castro.

"O lugar é completamente ilhado, por isso ele os levou para essa região", afirmou à agência Associated Press o professor de história das religiões da Universidade de Havana Enrique López Oliva. "Aqui, não existia igreja. A construção de um templo é uma clara demonstração de uma nova fase, da melhoria das relações entre a Igreja e o Estado."

Ainda que Cuba seja um país de tradição católica, a religião não é majoritária na ilha, onde predominam Santeria (equivalente ao Candomblé) e outras crenças levadas pelos conquistadores espanhóis e seus navios de escravos africanos.

No entanto, a Igreja Católica teve um papel de poder importante antes do triunfo da revolução de 1959 e, em seguida, uma relação ruim com os líderes rebeldes.

Peter Pan. A Igreja Católica foi ainda a promotora da operação 'Peter Pan', organizada pela inteligência americana, que retirou milhares de crianças cubanas da ilha nos anos 60 - com o consentimento de seus pais, fiéis católicos. Como argumento, a Igreja dizia que os revolucionários comunistas lhes tirariam a custódia das crianças. / AP

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