REUTERS/Enrique de la Osa
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Cuba libera viagens de dissidentes ao exterior

Ativistas acreditam que autorização foi dada em razão da viagem de Obama à ilha

O Estado de S. Paulo

24 de fevereiro de 2016 | 22h55

WASHINGTON - O governo cubano deu permissão para que renomados ativistas façam, cada um, uma viagem internacional e depois voltem à ilha. A autorização foi dada para 7 de 11 dissidentes presos – e depois liberados – em 2003, durante a chamada “Primavera Negra”. De acordo com integrantes do grupo, a viagem foi autorizada por “bom comportamento”.

A ativista Marta Beatriz Roque, que recebeu permissão para viajar e pretende ir aos Estados Unidos, afirmou que ela e outros seis dissidentes foram procurados por funcionários do governo no domingo, pedindo que eles comparecessem a uma repartição pública no dia seguinte, segunda-feira. Lá, eles foram informados que poderiam viajar para o exterior uma única vez e depois deveriam retornar a Cuba. 

“Foi uma concessão à visita de Obama”, disse Beatriz, em referência ao anúncio do presidente americano de que pretende realizar uma viagem histórica à ilha no fim de março. A visita deverá selar a reaproximação entre Washington e Havana depois de mais de meio século de ruptura e de isolamento econômico. 

Jorge Olivera, outro dissidente autorizado a viajar, reclamou das restrições impostas pelo governo aos outros membros do grupo. “Eles disseram que a autorização foi por bom comportamento. Mas, na realidade, é totalmente arbitrário”, afirmou. 

Nesta quarta-feira, o secretário de Estado americano, John Kerry, foi questionado na Câmara dos Deputados sobre a reaproximação do governo Barack Obama com Cuba. Segundo ele, a nova abordagem ajudou nas relações dos Estados Unidos com toda a região. 

Ao falar à Comissão de Orçamento da Câmara, Kerry foi interpelado pelo congressista republicano de origem cubana Mario Díaz-Balart para que citasse avanços concretos nos direitos humanos em Cuba, afirmando que esse deveria ser um requisito prévio para uma visita de Obama à ilha.

Díaz-Balart lembrou que, em uma entrevista ao site Yahoo!, em dezembro, Obama disse que não faria sentido visitar Cuba se o país andasse “para trás” na liberdade de seus cidadãos. “E sob qualquer medida objetiva, o regime dos Castros não melhorou seu histórico de direitos humanos. Em todos os casos, piorou”, ressaltou o congressista.

Kerry rebateu, afirmando que o governo cubano “melhorou, no sentido de que libertou os 53 prisioneiros que os EUA solicitaram” e reiterou que acredita que os cinco que voltaram a ser detidos serão “libertados”. Ele lembrou ainda que “um em cada quatro cubanos está no setor privado”.

A dissidente Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional denunciou em janeiro que cinco ex-prisioneiros políticos que foram libertados como parte do acordo anunciado em dezembro de 2014 entre Cuba e os EUA para restabelecer as relações foram novamente levados à prisão. 

Em um diálogo tenso, Díaz-Balart disse a Kerry que ele não estava mostrando “dados” nem “garantias” sobre as melhoras em Cuba. O secretário de Estado respondeu que o congressista não queria “aceitar” as respostas que ouvia. / AFP e EFE

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