Cuba liberta 7 presos políticos, que partem para o exílio em Madri

HAVANA

Efe e Ap, Colaborou Ruth Costas, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2010 | 00h00

Sete presos políticos cubanos foram libertados ontem e partiram com suas famílias para a Espanha. O opositor Omar Ruiz disse por telefone à agência Associated Press que ele e seus companheiros foram levados ao aeroporto de Havana, onde se encontraram com os parentes em uma sala privada.

"Estamos neste momento caminhando para o avião. Nos trouxeram pela parte de trás do aeroporto", afirmou Ruiz, depois de se encontrar com sua mulher, Bárbara Rojo. Além de Ruiz, foram libertados Pablo Pacheco, Antonio Villarreal, Julio César Gálvez, José Luis García Paneque, Léster González e Ricardo González (mais informações nesta página). Inicialmente, a previsão era que 11 presos embarcassem ontem. A mudança de planos não foi explicada.

Segundo a Arquidiocese de Havana, 20 detentos aceitaram se exilar até agora. Os outros devem viajar para a Espanha nos próximos dias. Há três dias, eles vêm sendo transferidos para Havana para passar por exames médicos e obter documentos para emigrar.

Todos fazem parte do grupo de 52 prisioneiros políticos que o presidente cubano, Raúl Castro, comprometeu-se a libertar em até quatro meses durante um encontro com Moratinos e o cardeal de Havana, Jaime Ortega, na quarta-feira. Eles foram presos em 2003 - acusados de conspirar com os EUA - na onda repressiva conhecida como Primavera Negra. Outros 23 dissidentes presos na ocasião já foram soltos, principalmente porque estavam muito mal de saúde.

Segundo autoridades espanholas, os dissidentes cubanos e suas famílias receberão moradia e apoio para recomeçar a vida na Espanha, mas se quiserem poderão viver em outro país. A Igreja diz que o exílio não é uma condição para a libertação dos presos, mas o governo cubano ainda não divulgou nenhuma informação sobre quando serão soltos os que optarem por viver na ilha. "Por que eles não levam logo para casa quem não quer sair do país?", questionou Laura Pollán, líder das Damas de Branco, movimento que inclui mulheres, mães e filhas de prisioneiros políticos cubanos.

Cuba estava sob forte pressão internacional desde fevereiro, quando o preso político Orlando Zapata morreu após 85 dias de greve de fome. Em março, passeatas das Damas de Branco também atraíram a atenção da imprensa internacional. Além disso, o dissidente Guillermo Fariñas, que substituiu Zapata em seu protesto, já estava havia 134 dias em jejum quando as libertações foram anunciadas e, segundo os médicos, poderia morrer "a qualquer momento".

A Espanha defende na União Europeia uma maior aproximação com Cuba como uma forma de impulsionar reformas na ilha. As relações dos cubanos com o bloco europeu estavam estremecidas desde a Primavera Negra e o presidente Raúl Castro parece ter visto nas libertações uma chance de tentar reverter essa situação, oportuna dadas as dificuldades econômicas da ilha. "A linha política do atual governo espanhol permite uma aproximação e a Espanha tem laços históricos com Cuba, além de interesse em ampliar os investimentos aqui caso haja uma abertura", disse ao Estado o dissidente Héctor Palacio Ruiz, detido na Primavera Negra e condenado a 25 anos de prisão. Palacio foi solto em 2007 e recebeu aval do governo para fazer um tratamento em Madri, mas decidiu voltar para Havana. "Cuba é meu país e ninguém pode me obrigar a deixá-lo", diz.

Livres

Ricardo González - Jornalista de 60 anos, é representante da ONG Repórteres Sem Fronteiras. Condenado a 20 anos

Omar Ruiz - Técnico em contabilidade. Tem 62 anos e é dissidente desde 1990. Foi condenado a 18 anos.

José Luis Paneque - Médico de 45 anos, colaborou com grupos dissidentes. Condenado a 20 anos

Léster González - Padeiro de 37 anos. Colaborava em sites de oposição. Condenado a 20 anos

Antonio Villarreal - Com 59 anos, é ativista do Movimento Cristão de Libertação. Condenado a 15 anos

Pablo Pacheco - Jornalista de 40 anos. Trabalhava em uma cooperativa ilegal de imprensa. Preso nos anos 90 por propaganda inimiga. Condenado a 20 anos.

Julio C. Gálvez - Jornalista de 65 anos. Expulso de uma rádio estatal em 2001 por colaborar com a mídia de oposição e do exterior como a "Voz de América". Condenado a 15 anos

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