Cuba liberta ativista dissidente em greve de fome há 62 dias

Opositor foi sentenciado a um ano de prisão por um crime de 'ameaça contra a integridade física' de um agente de segurança; agente supostamente ameaçado se retratou mais tarde de sua declaração

O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2018 | 16h14

HAVANA - A Justiça de Cuba libertou o ativista opositor Tomás Núñez Magdariaga, cujo estado de saúde é bastante delicado depois de passar 62 dias em greve de fome como protesto por sua condenação a um ano de prisão, informou nesta terça-feira, 16, o grupo dissidente União Patriótica de Cuba (Unpacu), do qual ele faz parte.

As autoridades concederam "liberdade imediata" nesta terça-feira, 16, ao dissidente de 66 anos, que estava internado em um hospital de Santiago de Cuba, no leste do país, disse Ovídio Martín, diretor da Unpacu.

Núñez Magdariaga, cujo caso ganhou notoriedade desde que o governo dos Estados Unidos exigiu sua libertação no início deste mês, está em sua residência na cidade de Palma Soriano, na Província de Santiago, onde sua família o alimenta com líquidos até que possa ingerir alimentos sólidos dentro de alguns dias.

O opositor foi sentenciado a um ano de prisão por um tribunal em 14 de agosto por um crime de "ameaça contra a integridade física" de um agente de segurança e iniciou a greve de fome em protesto pela condenação.

O agente supostamente ameaçado se retratou mais tarde de sua declaração e disse que, na realidade, não tinha existido intimidação alguma.

Na última semana, Núñez Magdariaga tinha se recusado até mesmo a ingerir líquidos ou tomar remédios, por isso sua saúde se deteriorou consideravelmente, de acordo com a mesma fonte da Unpacu.

No dia 4 de outubro, o governo dos Estados Unidos manifestou sua "grave" preocupação com a saúde do opositor cubano por sua prisão "injusta", enquanto a Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN) considerou "particularmente inquietante" a situação do ativista.

O governo cubano não reconhece a dissidência interna ao considerar seus integrantes como "contrarrevolucionários" ou "mercenários" a serviço de interesses estrangeiros, nega a existência de presos políticos nas prisões da ilha e alega que se trata de criminosos comuns. / EFE

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