Cuba liberta dissidente condenado a 21 anos

O governo cubano libertou ontem o agricultor Eduardo Días, dissidente condenado a 21 anos de prisão que se recusava a aceitar o exílio na Espanha como condição para deixar a prisão. No mesmo dia, a Igreja Católica informou que Cuba deverá pôr em liberdade outros cinco opositores condenados por "crimes contra a segurança do Estado". Eles deverão seguir para Madri assim que forem soltos.

AP e REUTERS, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2011 | 00h00

"Estou contente e agradecido à Igreja por suas negociações", afirmou Días, pelo telefone, de sua casa em Consolación del Sur, 130 quilômetros a oeste de Havana. "Na quinta-feira, o cardeal Jaime Ortega o chamou para dizer que ele ia ser libertado. Hoje (ontem), três oficiais de segurança o trouxeram", disse sua mulher, Margarita Deulofeu, contando que Días recebia amigos e vizinhos.

O dissidente havia sido detido em 2003, quando o governo cubano prendeu 75 opositores - 52 continuavam detidos em maio de 2010, quando uma negociação entre Ortega e o governo de Raúl Castro iniciou o processo de libertação, dois meses depois. Com a soltura de Días, nove dos detidos naquele ano continuam sob custódia de Havana.

Outras libertações. O Arcebispado de Havana afirmou ontem que o governo da ilha pretende pôr em liberdade Héctor Maseda (mais informações nesta página). Em outro comunicado, a Igreja disse que Osmel Aguilera Carpio, Juan Junior Padrón Sánchez, Rafael Jorrín García e Felipe Ramón Pino García também serão libertados - e "aceitaram a proposta (do governo cubano) de sair da prisão e ir à Espanha".

Aguilera foi condenado em 1994 a 30 anos de cadeia, por sabotagem. Padrón foi preso em 1999 e cumpre pena de 15 anos, por pirataria. Em 1997, Jorrín foi sentenciado a 20 anos, acusado de tentar sair de Cuba ilegalmente, porte de armas e pirataria. A ficha criminal de Pino não foi divulgada e ele é desconhecido dos ativistas de direitos humanos que atuam na ilha.

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