Cuba libertará todos os presos políticos, diz chanceler espanhol

Segundo Moratinos, acordo firmado com Cuba não diz respeito somente ao 'Grupo dos 75'

Agência Estado, AP e Efe,

13 de julho de 2010 | 21h03

O ministro de Relações Exteriores da Espanha, Miguel Angel Moratinos, afirmou nesta terça-feira, 13, que Cuba vai libertar todos os presos políticos e não apenas os do chamado "Grupo dos 75".

 

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 Moratinos disse no Parlamento que as libertações começaram pelos 52 presos - dos quais sete chegaram nesta terça-feira a Madri - integrantes do grupo de pessoas que foi detido e julgado em 2003 sob acusações de receber dinheiro e orientação do governo dos Estados Unidos e seus aliados para destruir a revolução cubana.

Mas o chanceler afirmou que essas não serão as únicas libertações. Segundo ele, o governo de Raúl Castro se comprometeu, nas negociações com a Igreja Católica cubana, a libertar todos os presos políticos do país.

 

Moratinos disse que agora será necessário avaliar a quantidade de pessoas presas em Cuba que podem ser consideradas como presos políticos ou de consciência. Segundo um relatório da organização não governamental Comissão dos Direitos Humanos e Reconciliação Nacional anterior às libertações, existem 167 presos políticos na ilha.

Sobre os sete dissidentes que chegaram à Espanha, Moratinos disse que são pessoas livres e poderão decidir para onde ir. Ele disse que pretende convencer seus colegas europeus a eliminar a Posição Comum da União Europeia, texto que desde 1996 condiciona as relações plenas de Bruxelas com Havana a mudanças no sistema comunista da ilha.

 

Silêncio

 

As autoridades cubanas e a Igreja Católica mantiveram hoje silêncio absoluto sobre os próximos presos políticos que serão libertados e viajarão para a Espanha, para onde três deles

devem partir esta noite, segundo o Governo de Madri.

  

Um segundo grupo de três presos políticos cubanos chegará amanhã a Madri com seus familiares, como parte do processo de libertação de opositores com o qual se comprometeu o governo do presidente cubano, Raúl Castro, antecipou o Ministério de Assuntos Exteriores espanhol.

 

Em meio a anúncios das viagens em Madri, em Cuba, da mesma forma que na segunda-feira, é mantido um silêncio oficial absoluto sobre os detalhes das mudanças dos dissidentes e de suas famílias.

Após a chegada nesta terça-feira à Espanha dos primeiros sete libertados, os próximos a deixar a ilha ainda hoje serão Normando Hernández, Omar Rodríguez e Luis Milán. Os três dissidentes foram condenados em 2003 a penas de entre 13 e 27 anos de prisão.

 

Fontes do Ministério de Exteriores espanhol disseram que, na quinta-feira, outros presos chegarão a Madri, cuja identidade ainda não foi revelada.

Após as próximas três libertações esperadas para hoje e a prevista para quarta-feira, seguirá, nos próximos dias, a libertação de outros nove presos que completam a lista de nomes fornecidos até o momento pela Igreja Católica sobre opositores que aceitaram se mudar para a Espanha após sair da prisão. Ainda não foi totalmente esclarecido o que acontecerá com os presos políticos que quiserem continuar em seu país.

 

Setores da dissidência interna cubana criticaram que estas libertações estejam condicionadas à expatriação, além da forma como elas estão acontecendo, com a transferência dos presos da prisão até o aeroporto de Havana para imediatamente depois tomarem o avião rumo à Espanha.

Atualizado às 23h01 para acréscimo de informações

 

 

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