Cuba modera discurso na ONU e se aproxima dos EUA

Cuba adotou um tom moderadamente conciliatório em relação aos Estados Unidos na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) hoje, dizendo que está pronta para normalizar as relações e, até que isso ocorra, quer trabalhar com Washington na luta contra o contrabando de drogas e de pessoas, proteger o meio ambiente e enfrentar os desastres naturais.

AE-AP, Agencia Estado

28 de setembro de 2009 | 18h58

O ministro de Relações Exteriores, Bruno Rodriguez, disse que Cuba se aproximou do governo norte-americano com "uma série de tópicos essenciais" que considera imperativos para melhorar as relações bilaterais, incluindo a abolição da política de imigração chamada de "pé seco, pé molhado", que permite que quase todos os cubanos que chegam ao solo norte-americano permaneçam no país, enquanto os que são capturados no mar são deportados.

Por outro lado, Cuba exige a devolução do território ocupado pela base naval dos EUA na Baía de Guantánamo e o fim dos recursos federais para transmissões de rádio e televisão contrárias ao governo cubano dirigidas para a ilha a partir da Flórida, que fica a uma distância de 145 quilômetros.

Rodriguez não disse o que o governo do presidente Raúl Castro pode oferecer em troca de tais concessões, mas também pediu que Washington descarte, unilateralmente, o embargo econômico de 47 anos e retire a ilha comunista de sua lista anual de países que patrocinam o terrorismo.

Diplomatas cubanos e norte-americanos realizaram conversações de um dia para discutir imigração, em julho, e outra rodada de diálogos para restaurar o serviço direto de correio entre os dois países neste mês. Rodriguez chamou estas negociações de "respeitosas e proveitosas" e disse que Havana quer que os dois lados se reúnam novamente para discutir o aumento da cooperação na luta contra o tráfico de drogas e de pessoas, bem como a melhor proteção do meio ambiente e como responder aos furacões e outros desastres naturais.

Rodriguez deixou de lado muitas considerações antiamericanas que dominaram as declarações cubanas ante a Assembleia Geral e outros organismos mundiais, dizendo que Obama assegurou "o fim de um período de extrema agressividade, unilateralismo e arrogância na política externa".

Rodriguez ainda teve tempo de responsabilizar a "direita fascista" dos EUA por ajudar os militares hondurenhos a realizarem o golpe que derrubou o presidente Manuel Zelaya em junho, e acusou interesse norte-americanos de falar mal do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que envia mais de 100 mil barris de petróleo diariamente, e sem custos, para Cuba, ajudando a manter a economia da ilha. "As calúnias e mentiras ditas contra a república bolivariana da Venezuela são brutais", disse Rodriguez.

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