Cuba nomeia ministro mentor das reformas

Considerado o arquiteto das propostas de Raúl Castro, Marino Murillo assume pasta da Economia sob a expectativa de acelerar as mudanças

HAVANA, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2014 | 02h02

O presidente de Cuba, Raúl Castro, nomeou ministro de Economia e Planejamento o vice-presidente Marino Murillo, seu mais próximo assessor econômico, considerado o arquiteto das reformas na economia cubana, informou na noite da quinta-feira a imprensa estatal. Estima-se que, com mais autoridade, Murillo possa implementar mudanças mais ambiciosas no socialismo cubano.

Com 53 anos, Murillo já ocupou o ministério para o qual foi nomeado entre 2009 e 2011, quando foi escolhido para coordenar as reformas de Raúl como vice-presidente do Conselho de Ministros e tornou-se um dos 14 membros do bureau político de Cuba.

Murillo substituirá Adel Yzquierdo no Ministério de Economia e Planejamento, que manterá seu lugar no quadro político. Sob a liderança de Yzquierdo, a economia da ilha cresceu 0,6% no primeiro semestre do ano e o governo cubano reduziu sua expectativa de crescimento para 2014 de 2,2% para 1,4%.

O comunicado que anunciou a nomeação de Murillo para o ministério afirma também que o plano de reformas em Cuba "entra em questões mais complexas e profundas", por isso "é necessário harmonizar e integrar a um nível superior o processo de atualização do modelo econômico".

Durante seu governo, Raúl tem aplicado reformas como autorizações de trabalho privado, permissão de comércio de bens e imóveis e abertura ao investimento externo. Também tem adotado passos para a unificação da moeda cubana.

Em 2011, o Partido Comunista estabeleceu as cerca de 300 reformas que o regime pretende implementar até 2016. Até agora, cerca de 250 medidas começaram a ser postas em prática, mas economistas independentes afirmam que as mudanças são muito lentas e superficiais - e a economia de Cuba, em vez de avançar, retrocedeu.

Murillo, chefe da comissão de implementação de reformas locais, assume o ministério numa aparente tentativa de dar impulso ao processo de reforma. "Murillo arquitetou bem as mudanças. Agora é a vez da implementação. Parece que estão dando prioridade à implementação. Ele pode manejar mais eficazmente essa transição financeira", disse o economista cubano Pavel Vidal, professor da Universidade Javierana de Cali, na Colômbia.

Na opinião do ex-diplomata cubano e analista político Pedro Campos, a nomeação de Murillo pode significar que o governo quer exercer mais controle na efetivação das reformas. / REUTERS

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