AFP PHOTO / POOL / Ernesto MASTRASCUSA
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Cuba oferece diálogo aos Estados Unidos sem renunciar ao socialismo

'Princípios nunca estarão sobre a mesa', disse o presidente cubano Miguel Díaz-Canel

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2020 | 05h01

HAVANA - O presidente cubano Miguel Díaz-Canel expressou a vontade de seu país de dialogar "sobre qualquer assunto" com o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, sem renunciar ao "socialismo" ou à "soberania".

“Como já foi dito com bastante clareza, estamos dispostos a discutir qualquer assunto, o que não estamos dispostos a negociar e o que não cederemos é pela revolução, pelo socialismo e pela nossa soberania”, disse Díaz-Canel no encerramento da sessão anual do Parlamento.

“Princípios nunca estarão sobre a mesa”, acrescentou no mesmo dia em que foi anunciada a restauração das relações entre as duas nações, há seis anos.

O líder cubano destacou que 2020 foi "um ano difícil e desafiador como poucos" devido à nova pandemia de coronavírus e ao aumento, no governo Donald Trump, do bloqueio que Washington aplica contra a ilha desde 1962.

O presidente denunciou que, no contexto da campanha eleitoral nos Estados Unidos, as forças mais reacionárias do anti-castrismo, sediadas em Miami, tentaram criar "uma situação de instabilidade e tensão que impedisse qualquer possível retorno ao diálogo em caso de vitória democrata", como aconteceu.

Nesse sentido, ele aludiu ao protesto de 10 dias realizado em novembro por 14 integrantes do coletivo de artistas Movimiento San Isidro (MSI), para exigir a libertação de um rapper detido dias antes.

A batida policial nas instalações da Havana Velha, onde os protagonistas desse protesto se barricaram, serviu de gatilho para um protesto inédito de jovens artistas em frente ao Ministério da Cultura no dia 27 de novembro em favor da liberdade de expressão.

O presidente considerou que se tratavam de "reivindicações extra-artísticas, com o evidente propósito de servir de plataforma para projetos de confronto previamente articulados, com o objetivo de criar uma oposição política".

Os Estados Unidos e Cuba, que se enfrentam desde a revolução de Fidel Castro em 1959, experimentaram uma reaproximação histórica promovida pelos ex-presidentes Barack Obama e Raúl Castro, que em 2015 permitiu o restabelecimento das relações diplomáticas.

Mas, com a chegada de Trump à Casa Branca em 2017, Washington reforçou o bloqueio, citando violações dos direitos humanos em Cuba e o apoio de Havana ao governo venezuelano.

Durante a campanha, Biden, vice-presidente do governo Obama, anunciou a "eliminação das restrições de Trump a remessas e viagens", que prejudicam cubanos e famílias separadas, em entrevista pré-eleitoral ao jornal digital de oposição CiberCuba./AFP

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