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Cuba pede que EUA reduzam ajuda a dissidentes

Negociadora cubana afirmou que assunto é essencial para os dois países poderem reabrir embaixadas nas respectivas capitais 

O Estado de S. Paulo

03 de fevereiro de 2015 | 14h50


HAVANA - Cuba afirmou aos Estados Unidos que espera que os diplomatas americanos reduzam a ajuda aos dissidentes cubanos antes que os dois países possam reabrir embaixadas nas respectivas capitais.

Os dois adversários de longa data estão negociando o restabelecimento de relações diplomáticas como um primeiro passo para acabar com cinco décadas de afastamento. Funcionários dos dois governos se reuniram em Havana em janeiro e uma segunda rodada de negociações está prevista para ocorrer em Washington este mês.

A principal negociadora de Cuba disse em uma entrevista transmitida na televisão estatal, na segunda-feira 2, que, se os EUA querem a livre circulação dos seus diplomatas em Cuba, primeiro têm de parar de usá-los para apoiar a oposição política. "A forma como esses diplomatas (dos EUA) agem tem de mudar no que se refere ao incentivo, organização, treinamento e fornecimento de financiamento a elementos dentro do nosso país que agem contra os interesses do governo do povo cubano", disse Josefina Vidal.

"A total liberdade de movimento, que o lado dos EUA está pleiteando, está ligada a uma mudança no comportamento de sua missão diplomática e dos seus funcionários", acrescentou Josefina.

Washington sempre criticou o governo comunista por reprimir os opositores do sistema de partido único no país. Embora o apoio da população cubana aos dissidentes seja limitado, eles recebem muita atenção dos EUA e diplomatas ocidentais. Os EUA dizem apoiar ativistas cubanos que exercem o seu direito à liberdade de expressão.

O restabelecimento das relações diplomáticas poderia ocorrer antes da cúpula regional no Panamá, em abril, quando o presidente dos EUA, Barack Obama, e o de Cuba, Raúl Castro, se reunirão pela primeira vez desde que apertaram as mãos no funeral de Nelson Mandela em dezembro de 2013.

Obama e Raúl falaram ao telefone um dia antes de anunciarem, em 17 de dezembro, que iriam tentar acabar com as hostilidades da Guerra Fria.

A advertência de Josefina sugere que há obstáculos para restabelecer relações diplomáticas, o que tem sido visto como um primeiro passo relativamente fácil antes de os dois lados tentarem resolver as diferenças mais profundas em questões como os direitos humanos e o embargo econômico dos EUA a Cuba.

Josefina disse que a conduta dos diplomatas cubanos em Washington foi "impecável", embora tenha sugerido que os americanos estavam passando dos limites nos assuntos internos de Cuba. "Questões de assuntos internos de Cuba não são negociáveis", afirmou.

"Nós também não estamos indo negociar assuntos de caráter interno relativo à soberania cubana em troca do levantamento do embargo. Fora isso, todo o resto é um processo de negociação." /REUTERS

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