Cuba permitirá trabalho por conta própria em 178 atividades

Anúncio é uma tentativa de absorver os 500 mil funcionários públicos que devem ser demitidos até 2011

AP e EFE, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2010 | 00h00

Em mais um sinal da disposição em promover mudanças econômicas estruturais, o governo cubano anunciou ontem que dará permissão para que os moradores da ilha exerçam, a partir de outubro, até 178 atividades de maneira privada, sem a intermediação do Estado. Pela nova lei, estariam permitidos os trabalhos de treinador de cães, a abertura de pequenas lojas, o ofício de professor particular e de serralheiro, entre outros.

Os donos desses novos negócios também poderão, pagando impostos, contratar empregados, ter acesso a crédito bancário e até mesmo prestar serviço para o governo.

Segundo o jornal estatal Granma, a medida foi criada para "aumentar os níveis de produtividade e eficiência", além de ser uma alternativa para "os que ficarão disponíveis" depois da demissão de meio milhão de funcionários públicos até 2011, conforme anunciado pelo governo da ilha na semana passada.

Impostos. "Os cubanos não têm capital nem crédito, muito menos grande experiência de gestão. Mesmo assim, o governo está falando em cobrar impostos, apesar de não haver nenhuma cultura para conviver com isso. Fico preocupada", disse Uva de Aragon, da Universidade Internacional da Flórida.

Outra medida importante anunciada no jornal Granma é a que amplia as permissões para que os cubanos aluguem imóveis residenciais. O comércio por atacado também será autorizado na ilha para abastecer os novos comerciantes. Atualmente, 80% dos trabalhadores cubanos são empregados do Estado.

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