Cuba quer atualizar acordo sobre imigração com EUA

Segundo chanceler, negociações ocorrerão amanhã em Havana; EUA não confirmou data

AE-AP, Agencia Estado

28 de janeiro de 2010 | 19h16

Cuba propôs aos Estados Unidos a negociação de um novo acordo sobre a imigração e outro para combater o tráfico humano. "A segunda rodada de negociações acontecerá em Havana no dia 19 de fevereiro", afirmou hoje o chanceler cubano Bruno Rodríguez, durante uma comemoração do aniversário de nascimento de José Martí (1853-1895), o patrono da independência cubana.

As conversas semestrais sobre a imigração, retomadas sob o mandato do presidente americano Barack Obama, em julho de 2009, foram programadas para dezembro, mas as partes não conseguiram chegar a um acordo de datas.

"Nós apresentamos como parte da agenda cubana ao governo americano a proposta de negociar um novo acordo imigratório e em apoiar a cooperação para combater o tráfico humano. A agenda cubana, no entanto, não teve resposta", disse o chanceler de Cuba.

A funcionária de imprensa do Escritório de Interesses dos Estados Unidos em Havana, Gloria Berbena, não pôde confirmar a data assinalada por Rodríguez.

O acordo em vigência, assinado em setembro de 1994 após a chamada "crise dos balseiros", na qual milhares de cubanos desesperados tentavam chegar à Flórida a bordo de embarcações precárias, estabelece que Washington deve dar 20 mil vistos de entrada por ano a cubanos que desejem deixar a ilha. O objetivo é permitir saídas seguras.

O acordo também determina que quem sair ilegalmente de Cuba por mar e for interceptado será devolvido à ilha. Não obstante, a Lei de Ajuste Cubano, em vigor nos EUA desde a década de 1960, dá amparo legal a todos os cubanos que consigam chegar a território norte-americano.  

 

Não existem relações diplomáticas entre os dois países há mais de quatro décadas, quando os EUA impôs à Cuba um forte embargo para pressionar uma mudança no sistema político do país. A chegada de Obama foi considerada por analistas como uma oportunidade para uma nova era nas relações.

 

As negociações migratórias ocorrem em meio a repercussão do caso de um cidadão norte-americano detido na ilha desde dezembro, o qual foi acusado verbalmente por funcionários de ter vínculos com os serviços de inteligência dos EUA.

 

"Está sendo investigado", disse o chanceler quando os jornalistas o perguntaram sobre o homem, cujo nome não foi confirmado pelas autoridades, ainda que esteja confirmado que trabalhava para a Development Alternatives Inc., uma companhia de Washington que recebe dinheiro do governo norte-americano para programas de apoio a dissidência em Cuba.

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