ADALBERTO ROQUE/AFP
ADALBERTO ROQUE/AFP

Cuba reabrirá embaixada nos EUA com cerimônia para 500 convidados

Depois de mais de cinco décadas de inimizade, Cuba e EUA restabelecerão oficialmente suas relações diplomáticas na segunda-feira

O Estado de S. Paulo

16 de julho de 2015 | 21h15

HAVANA -  A Cuba reabrirá no dia 20 sua embaixada nos Estados Unidos com uma cerimônia formal "muito solene" para 500 convidados, que serão recebidos pelo chanceler cubano, Bruno Rodríguez. Nesse mesmo dia, ele será recebido em Washington pelo secretário de Estado americano, John Kerry.

Depois de mais de cinco décadas de inimizade, Cuba e EUA restabelecerão oficialmente suas relações diplomáticas na segunda-feira, dia em que os respectivos Escritórios de Interesses de ambos os países em Washington e Havana voltarão a ser embaixadas. Já a cerimônia da abertura da embaixada dos EUA em Havana ainda depende do anúncio da data da viagem de Kerry a Cuba.

Em um encontro com jornalistas nesta quinta-feira, 16, em Havana, o subdiretor para a América do Norte da Chancelaria cubana, Gustavo Machín, explicou que Bruno Rodríguez viajará para Washington à frente de uma delegação integrada por 30 funcionários, ex-diplomatas e representantes de setores como cultura, educação, saúde, ciência, organizações de massa do país e do Conselho de Igrejas de Cuba.

Nesse grupo estão, entre outros, o cantor Silvio Rodríguez; o historiador de Havana, Eusebio Leal; o artista Alexis Leiva "Kcho"; os ex-diplomatas Ricardo Alarcón e Ramón Sánchez Parodi; o ex-ministro de Cultura, Abel Prieto; a diretora-geral dos EUA da chancelaria, Josefina Vidal, que liderou a delegação de Cuba nas negociações oficiais com os EUA.

À cerimônia de reabertura da embaixada cubana em Washington são esperados cerca de 500 convidados americanos, entre eles membros do Congresso americano, ONGs, empresários, representantes de grupos de solidariedade com a ilha e membros de diferentes igrejas americanas.

"Convidamos muitas pessoas e especialmente aquelas que durante todos esses anos estiveram trabalhando fortemente para conseguir uma melhor relação entre Cuba e Estados Unidos", indicou Machín. 

A cerimônia acontecerá por volta das 10h30 (local) e a bandeira cubana será içada no mastro preparado para identificar a sede da embaixada. O encarregado de fazer o discurso central é Bruno Rodríguez, que será o primeiro chanceler cubano a visitar oficialmente os Estados Unidos em mais de 50 anos. Em seguida o ministro das Relações Exteriores será recebido no Departamento de Estado por John Kerry.

Com o restabelecimento dos vínculos diplomáticos, os atuais chefes das seções de Cuba, José Ramón Cabañas, e dos EUA, Jeffrey DeLaurentis, passarão a ser encarregados de negócios enquanto os países nomeiam seus respectivos embaixadores.

Sem estabelecer prazos, Machín lembrou que a designação de embaixadores tem um processo em cada país e acrescentou que as nomeações não têm por que ser "uníssono".

Com a restauração das relações diplomáticas e a abertura de embaixadas, Cuba e Estados Unidos encerrarão a primeira fase do histórico processo de degelo anunciado em 17 de dezembro e abrirão uma nova etapa rumo à normalização de suas relações, caminho que será "longo e complexo", reiterou Machín. "A partir de 20 de julho devemos começar a discutir como encontrar soluções aos problemas que foram se acumulando ao longo de todos estes anos", indicou.

Para Cuba, para normalizar totalmente as relações com os Estados Unidos é "essencial" que Washington ponha um fim no bloqueio à ilha.

Cuba também reivindica que os Estados Unidos devolvam o território da Base de Guantánamo, que acabem "as transmissões de rádio e televisão ilegais", que elimine seus programas para promover "a subversão e a desestabilização interna" e faça compensações "pelos danos humanos e econômicos" que as políticas de Washington provocaram. / EFE

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