Alejandro Ernesto_EFE
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Cuba recebe 2 milhões de turistas e caminha para novo recorde

Cifra representa um avanço de 12% com relação ao primeiro semestre de 2015; Partido Comunista inicia debate sobre o destino da vida econômica, social e política da ilha

O Estado de S. Paulo

15 Junho 2016 | 15h28

HAVANA - Cuba recebeu este ano 2 milhões de turistas estrangeiros, uma cifra que encaminha a ilha para um recorde de visitantes após o início de sua reaproximação com os Estados Unidos. O Ministério do Turismo destacou em um comunicado que a ilha alcançou, no domingo, "2 milhões de visitas", 27 dias antes da data em que atingiu essa marca no ano passado. A cifra representa um avanço de 12% com relação ao primeiro semestre de 2015.

Canadá, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, França, Itália, Espanha, México e Argentina contribuíram "de forma significativa" com o crescimento do turismo em Cuba. No ano passado, este destino do Caribe recebeu 3,5 milhões de turistas, 17% a mais que em 2014. Até o fim de 2016, espera chegar aos 3,85 milhões de visitantes.

Somente as visitas procedentes dos EUA tinham aumentado 93% até abril, com relação ao mesmo período de 2015, e alcançado o número de 94 mil americanos, segundo o Ministério do Turismo.

Desde 1962, americanos não estão autorizados a fazer turismo livremente na ilha em razão do embargo imposto por Washington. Mesmo assim, o governo Barack Obama - que restabeleceu relações diplomáticas com Cuba em julho de 2015 - flexibilizou algumas restrições, o que propiciou o aumento das viagens. 

Com o aumento de turistas, a ilha enfrenta "o desafio", não mais de atrair visitantes, mas de gerir sua chegada em massa, disse em março o secretário-geral da Organização Mundial do Turismo, Taleb Rifai, na abertura de um evento em Berlim.

As autoridades cubanas realizam projetos de renovação e construção de hotéis para atender ao crescente fluxo de turistas, segunda fonte de divisas depois dos serviços médicos. Em 2015, a receita com o turismo foi de US$ 2,8 bilhões.

"Além de continuar elevando a qualidade dos nossos serviços e diversificando nosso produto turístico, se concluem novas capacidades hoteleiras em importantes polos como Havana, Varadero, Cayo Santa María, Jardins del Rey e Holguín", observou o Ministério do Turismo.

Futuro. A partir desta quarta-feira, 15, os cubanos foram convocados pelo Partido Comunista de Cuba (PCC, único) a debater dois documentos que marcam o destino da vida econômica, social e política da ilha nas próximas décadas.

"A participação ativa dos milhões de cubanos, militantes (do PCC) ou não, convocados para esta consulta é imprescindível para consolidar o consenso em torno do futuro de Cuba", afirma o jornal oficial Granma.

Os documentos para discutir são a Conceitualização do Modelo Econômico e Social Cubano de Desenvolvimento Socialista e o Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social até 2030, aprovados pelo VII Congresso do PCC em abril.

Os dois documentos marcam o caminho e o ritmo da abertura iniciada pelo presidente Raúl Castro, que inclui a criação de pequenas empresas privadas, mas enfatiza a preservação do socialismo sob a condução do PCC como partido único.

A convocação pede um "debate democrático" até 20 de setembro. "Nessas discussões não faltarão os inimigos, o céticos, os hesitantes, os que fazem eco de campanhas detratoras do exterior contra o Partido e a Revolução, e os que sonham com a volta de uma sociedade sujeita ao desejo e às pretensões ianques", alerta o texto. / AFP 


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