EFE/Ernesto Mastrascusa
EFE/Ernesto Mastrascusa

Cuba reduz edições dos principais jornais por falta de papel

Havana também admite o desabastecimento no país de alguns produtos de primeira necessidade

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2019 | 19h09

HAVANA - Cuba anunciou nesta quinta-feira, 4, uma redução de páginas e periodicidade de seus principais jornais, incluindo o Granma do Partido Comunista, em razão da intensificação das sanções econômicas desde que o presidente Donald Trump chegou à Casa Branca.

“Em razão de dificuldades com a disponibilidade de papel-jornal, as edições do jornal Granma das quartas e sextas-feiras, assim como dos semanários Granma Internacional, Trabajadores, Orbe y Opciones, serão reduzidas de 16 para 8 páginas a partir de amanhã (quinta-feira, 4)”, disse o governo. O Juventud Rebelde, diário da juventude comunista, circulará aos domingos com suas páginas habituais e “deixará de circular aos sábados”, enquanto “outras publicações impressas em papel-jornal também terão sua circulação afetada”, afirma a nota, sem dar mais detalhes.

Os jornais estatais manterão suas edições digitais. Uma redução semelhante ocorreu na década de 90, durante o denominado “período especial”, como foi qualificada a crise econômica provocada pelo colapso da União Soviética, que na época era o maior sócio comercial da ilha. Na ocasião, os diários provinciais passaram a ser semanais.

Em 24 de agosto de 1991, o Granma anunciou um reajuste similar dos jornais, também por causa da falta de papel, na primeira medida tomada pelo governo de Fidel Castro para enfrentar a crise. Cinco dias depois, o governo cubano relatou severas restrições ao consumo de combustível e outros produtos essenciais, bem como a paralisação dos investimentos. 

A atual redução da imprensa oficial também se soma a um desabastecimento notório de produtos de primeira necessidade para os cubanos, como azeite, ovos, farinha de trigo e remédios ou até artigos de higiene – o que causa longas filas na rede de mercados locais quando são distribuídos.

Cuba ainda parece muito longe de um novo “período especial”, mas o governo comunista admitiu publicamente o desabastecimento, argumentando que “produções importantes para a economia não foram atendidas”. Cuba importa entre 60% e 70% dos alimentos que consume por cerca de US$ 2 bilhões.

O governo não divulga muita informação econômica, mas o PIB tem estado sem mudanças desde 2006, em grande parte em razão da crise econômica na Venezuela, o principal aliado de Cuba e sua maior fonte de petróleo altamente subsidiado há quase duas décadas. O anúncio de quinta-feira, 4, se dá num contexto em que os EUA apostam na queda de Nicolás Maduro na Venezuela e se opõem radicalmente a Cuba e Nicarágua, países aliados ao chavismo. 

Ainda nesta quinta-feira, 4, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, afirmou que manterá suspenso durante mais duas semanas o artigo 3.º da Lei Helms-Burton, que endureceria o embargo a Cuba e permitiria reivindicar em tribunais americanos propriedades na ilha que foram desapropriadas após a Revolução Cubana.

Em comunicado, Pompeo anunciou que manterá essa medida suspensa durante mais duas semanas, do dia 18 até 1.º de maio, mas seguirá permitindo as ações contra as mais de 200 empresas cubanas que aparecem em uma lista do Departamento de Estado.

Desde sua criação em 1996, o artigo 3.º da Lei Helms-Burton foi suspenso por todos os governos dos Estados Unidos a cada seis meses, mas o presidente Donald Trump reduziu cada vez mais esses prazos: primeiro impediu a entrada em vigor dessa medida por 45 dias, depois durante um mês e agora durante duas semanas. / REUTERS, AP E AFP

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