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Cuba reforça transporte público enquanto regulamenta setor de táxis

Anúncio de novos ônibus em Havana vem ao mesmo tempo em que a ilha aplica novas regras de inspeção veicular e de abastecimento

O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2018 | 11h05

HAVANA - O ministro dos Transportes cubano, Adel Yzquierdo, disse na quinta-feira 6 que o país importou 400 micro-ônibus e 90 ônibus para aliviar a escassez de transportes em Havana. “A boa notícia é que, no fim de dezembro e no início de janeiro, chegarão 400 novos microônibus que o Estado adquiriu”, disse Yzquierdo.

Os novos veículos de Cuba se somam aos 700 que circulam diariamente por Havana, mas que não são suficientes para os cubanos, que dependem de táxis.

Nesta sexta-feira, 7, entra em vigor uma regulamentação do setor de taxistas autônomos que vinha sendo planejada desde julho, quando o governo publicou uma série de normas que seriam gradualmente adotadas por toda Cuba, a começar por Havana.

Entre as novas regras, os motoristas precisam comprar uma quantidade mínima de gasolina dos postos estatais, freando o mercado ilegal de combustível em meio a uma queda na exportação do petróleo vindo da Venezuela. Haverá também uma inspeção veicular dos Chevrolets, Plymouths e Fords dos anos 1950, que dão à ilha o título de mais antigo parque automotivo do mundo.

Alguns taxistas disseram que as novas regras são tão duras que dificultam o trabalho, o que poderia fazer com que abandonem as suas licenças e deixem de dirigir táxis.  “As medidas são realmente severas e todo dia há mais pressão na rua para mais inspetores e polícia", disse o motorista Julio Garcia no começo desta semana. “Eu vou entregar a minha carteira".

A vice-ministra dos Transportes, Marta Oramas, disse na quinta-feira que em torno de 800 motoristas abandonaram as licenças até agora. Segundo ela, 2.167 carteiras de motoristas foram canceladas como resultado da revisão veicular da nova regulamentação. Somente 32% dos veículos que se apresentaram foram aprovados na primeira vez, e 60% conseguiram em outras tentativas.

Dado o deficiente sistema de transporte público, os cubanos dependem dos mais de 6 mil táxis privados, muitos deles carros antigos dos Estados Unidos, principalmente aqueles em serviços de rota compartilhada, que também foram alvo da nova regulamentação.

Muitos condutores autônomos (e também os contratados pelo Estado) ficaram descontentes com as medidas e já ameaçaram fazer paralisações. “Muita gente não tem a coragem de dizer, mas o novo sistema não funciona. Não se pode investir 5 pesos para ganhar 3. Tem que recuperar pelo menos os 5 e, aí, ganhar 5 mais”, disse um taxista de Havana. / EFE e REUTERS

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