Cuba rejeita interferência norte-americana na ilha

Entidades cubanas afirmaram que vão defender o país de uma possível interferência norte-americana. Os Estados Unidos estariam tentando tirar vantagens da crise causada pelo estado de saúde de Fidel Castro. O governo de Washington está sendo pressionado por exilados cubanos para intervir na transição democrática da ilha. "As pessoas sabem que eles têm recursos, armas, um espaço para defender a revolução, se necessário", afirmou Rogelio Polano, editor do jornal comunista Juventud Rebelde, durante um discurso na televisão estatal, na tarde desta quinta-feira."Mais uma vez, eles não podem cometer erros, não podem fantasiar, não podem achar que o desejo deles é realidade", disse Polanco em uma discussão sobre como os exilados estão celebrando a internação de Castro. "Eles não devem interferir e cometer o maior erro de todos os tempos."Exilados cubanos, enquanto isso, saudaram o presidente Bush por incentivar a transição democrática em Cuba, mas alguns deles querem ainda mais.William Sanchez, procurador da Fundação Nacional de cubanos-americanos, aconselhou o presidente a incentivar que haja eleições no país e permitir que cubanos vivendo no país voltem à ilha de barco para ajudar na transição política. Mas em Cuba não há certeza de que algo irá mudar com a doença de Fidel. "A revolução vai continuar" foi o lema repetido na mídia estatal durante esta quinta-feira, três dias depois de Castro ceder temporariamente o poder ao seu irmão mais novo, Raúl Castro, enquanto se recupera da cirurgia.Entretanto, um oficial norte-americano afirmou que os cubanos estão em contato direto com a missão dos EUA em Havana, demonstrando medo e insegurança sobre o desenrolar da crise."Vemos entre os cubanos uma vontade de que Fidel não retorne ao poder. Parece haver um consenso nessa direção", afirmou Drew Blakeney, porta-voz da Seção de interesse dos Estados Unidos.O governo cubano ainda não deu detalhes sobre o real estado de saúde de Fidel Castro. Muitos na ilha suspeitam que Fidel está encenando, há uma impressão que é sustentada pela distância de Raúl dos noticiários."Eu não acho que Raúl Castro vá tomar qualquer tipo de decisão sem a autorização de seu irmão", afirmou Eloy Gutierrez-Menoyo, exilado que hoje vive em Cuba como um dissidente moderado.Russos elogiam FidelQuase quinze anos após o fim da União Soviética, a maioria dos russos ainda considera Fidel Castro uma grande figura política que trabalha para o bem de seu povo, segundo os resultados de uma pesquisa de opinião divulgada hoje.Cerca de 56% dos entrevistados disseram considerar que Castro "fez mais bem do que mal" ao povo cubano, enquanto 8% acreditam no contrário.Além disso, 52% dos indagados disseram ser "simpáticos" ao presidente cubano. Entre as qualidades pessoais de Castro, os participantes da pesquisa destacaram a vontade, audácia e decisão (10%); a honradez (3%); a responsabilidade e capacidade de trabalho (3%); a inteligência e educação (3%), e seus dotes de orador (2%).Para outros, são mais importantes as qualidades profissionais de Castro como político e chefe de Estado: 6% dos entrevistados afirmaram que se trata de um dirigente "experiente e competente", enquanto outros 6% disseram "admirá-lo" pelo fato de estar há 45 anos no poder em Cuba.Quase dois terços da população, 63% deles, compartilha da opinião de que Fidel é uma grande personalidade política do século XX, enquanto apenas 9% pensam o contrário. Para 46%, as atuais relações entre Moscou e Havana são "boas",enquanto para 10 % são "ruins".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.