Omara Garcia / Reuters
Omara Garcia / Reuters

Cuba vai demitir 500 mil servidores públicos

Além de redução no quadro de funcionários estatais, Raúl Castro quer incentivar a iniciativa privada; reformas são as mais radicais já feitas por ele

REUTERS e AFP, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2010 | 00h00

HAVANA

O governo cubano surpreendeu analistas ontem ao anunciar que planeja demitir cerca de 500 mil empregados do Estado até o primeiro trimestre de 2011 e incentivar a iniciativa privada. A decisão, justifica Havana, "tornará mais eficiente o processo produtivo" cubano, contribuindo para "a construção do socialismo".

O anúncio é considerado a medida mais radical do presidente Raúl Castro para reestruturar a economia socialista cubana. O líder havia afirmado em abril que 20% dos empregos em Cuba eram "redundantes", mas nenhuma ação efetiva tinha sido oficializada até ontem.

Há uma semana, o ex-presidente Fidel Castro afirmou em entrevista à revista americana The Atlantic que "o modelo cubano não funciona mais nem para Cuba". Analistas disseram que o comentário seria um endosso às reformas propostas por Raúl e teria sido destinado aos próprios líderes cubanos. Mas, no dia seguinte à divulgação da afirmação, Fidel voltou atrás e disse ter sido "mal interpretado".

Estado "inchado". O anúncio de ontem foi lido no rádio e publicado em jornais estatais pela Central dos Trabalhadores de Cuba (CTC) - único sindicato permitido no país, com mais de 3 milhões de membros. Só estariam livres de cortes as vagas "historicamente deficitárias", como nos setores de agricultura, construção, ensino e industrial. Segundo o órgão, o objetivo é reduzir a burocracia do Estado e ampliar as oportunidades em cooperativas e em "trabalhos independentes".

"O Estado não pode nem deve continuar mantendo empresas com quadros inchados e perdas que prejudicam a economia", afirmou, em comunicado, a CTC. No texto, a central estatal conclui que essas companhias são "contraproducentes, criam maus hábitos e deformam a conduta do trabalhador".

Atualmente, o Estado cubano emprega 95% da força de trabalho regular na ilha. A taxa de desemprego é uma das menores do mundo: 1,7% em 2009. Nos últimos oito anos, a cifra sempre se manteve abaixo dos 3%. Dados oficiais desconsideram milhares de cubanos que não querem trabalhar por salários baixos - em média, esses empregos pagam US$ 20 por mês.

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