Cuba vive expectativa sobre aparição de Fidel no 1º de maio

Os cubanos se preparam para os atos que acontecerão em toda a ilha para comemorar o Dia do Trabalho, que, este ano, despertou um interesse inusitado devido às especulações sobre a possível aparição pública do líder cubano Fidel Castro, após nove meses de convalescença."Nem confirmo nem nego, não tenho a menor idéia", declarou nesta segunda-feira, 30, o presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón, após participar de um ato público no qual foi perguntado sobre a possível participação de Castro na mobilização convocada para esta terça-feira em Havana.Dezenas de operários se dedicaram nesta segunda aos últimos detalhes logísticos na Praça da Revolução, palco do ato central desta terça-feira. Enquanto isto, curiosos, jornalistas e turistasprocuravam algum sinal sobre a eventual presença de Fidel nascomemorações.Mais de cem jornalistas estrangeiros, em sua maioria espanhóis eamericanos, foram à ilha com a esperança de cobrirem oreaparecimento do líder cubano.Em Havana, nenhum dos altos funcionários confirmou a presença deFidel, que teve que delegar provisoriamente suas funções, em 31 dejulho de 2006, devido a problemas de saúde.Na Bolívia, o presidente Evo Morales assegurou no sábado queFidel retomará o poder em 1º de maio.Na Venezuela, porém, o presidente Hugo Chávez não falou dareaparição. "O que eu sinto (...) é que Fidel está no comando",disse o líder venezuelano, evitando falar da volta do cubano.Na capital cubana, pintores, varredores, técnicos de som,montadores e até floristas estiveram trabalhando para que o palcoesteja pronto a tempo. "Eles nos dizem para montar tudo, não nos dizem quem vem ou não", explicou à Efe Andrés, um dos trabalhadores.Cerca de 1.800 cadeiras, mais de 300 plantas, cercas pintadas deverde, dezenas de colunas de som e alto-falantes instalados nas ruas próximas formam o cenário encontrado pelos turistas que passeiam pela cidade.Cartazes alusivos à recente libertação - com pagamento de fiança- de Luis Posada Carriles, acusado de terrorismo por Caracas eHavana, nos quais se pede "prisão para o carrasco"; um enorme mural com o lema "combativos, produtivos e eficientes" e cartazes que pedem a liberação de cinco agentes cubanos prisioneiros nos Estados Unidos já estão no lugar das comemorações.A Central de Trabalhadores de Cuba, organizadora dos atos, esperaque entre seis e sete milhões de pessoas participem das comemorações em todo o país, e "centenas de milhares", na capital.No entanto, María, italiana de 50 anos, não se mostrou muitoimpressionada pelos esquemas de imprensa realizados pelasautoridades cubanas. "Isto é como em todos os países. O senhor viu o que nós fazemos em Roma?", perguntou."Eu vim especificamente para o ato, porque tinha vontade de vercom meus próprios olhos isto e como Havana está", disse à agênciaEfe Arturo, um espanhol de 64 anos que está ansioso para ver Fidel.As últimas imagens do líder cubano foram divulgadas no dia 30 dejaneiro pela televisão da ilha, no encontro entre ele e Hugo Chávez.Os trabalhadores também não estavam alheios nesta segunda às especulações sobre a possível presença do líder cubano.Para Sergio, de 59 anos, "tudo parece indicar que (Fidel) está serecuperando". Ele diz que não estranharia se o líder presidisse acelebração do Dia do Trabalho.Em todo caso, afirmou que "caso apareça, bom, e se não, tudo vaicontinuar da mesma forma", antes de continuar seu trabalho.

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