Cubano vive há 40 dias em aeroporto

Costa Rica rejeita entrada de dissidente

Ruth Costas, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

14 de janeiro de 2009 | 00h00

Um dissidente cubano está há 40 dias vivendo no Aeroporto de Juan Santamaría, na Costa Rica. O eletricista José Ángel Roque Pérez, de 40 anos, dorme em seis cadeiras que conseguiu juntar numa saleta e se alimenta de comida de avião no almoço, jantar e café da manhã. Banho? Só tomou um no 33º dia. Ele não pode sair dali já que "tecnicamente" não entrou em território costa-riquenho. A história lembra o filme O Terminal, com o ator Tom Hanks, sobre um viajante do Leste Europeu que é obrigado a morar no aeroporto de Nova York após ser impedido de entrar nos EUA. José Ángel pegou um voo para o Equador com um passaporte salvadorenho falso que conseguiu em Cuba por US$ 1 mil. Mas sua intenção era ficar na Costa Rica - onde o avião fazia escala e um primo o aguardava. No entanto, um funcionário da imigração descobriu a farsa por causa de seu sotaque.Segundo o jornal La Nación, de San José, a capital costa-riquenha, o primo de José Ángel contratou um advogado para tentar obter do Tribunal Constitucional a reversão da decisão do setor de imigração de deportá-lo. Como as autoridades não querem permitir sua entrada na Costa Rica, José Ángel decidiu viver nos corredores do aeroporto - alimentando-se com o que lhe fornece a companhia Taca Airlines, que o levou até a Costa Rica. José Ángel diz que decidiu fugir de Cuba porque era "perseguido" pelo regime da ilha. "Pretendo ficar aqui até que me deixem entrar no país. eu tinha ouvido dizer que esse é um país que respeita os direitos humanos e se me mandarem para Cuba, serei preso", afirmou ao La Nación.Ele diz que, em 1998, ajudou a coletar assinaturas para pedir a abertura política da ilha, na iniciativa patrocinada pelo dissidente Oswaldo Payá que ficou conhecida como Projeto Varella - que propunha a aprovação, pela Assembleia Nacional de Cuba, de reformas democráticas. A proposta chegou a ser levada à votação, mas foi prontamente rejeitada no Legislativo. Desde então, José Ángel teria começado a ser vigiado pelos Comitês de Defesa da Revolução em seu povoado, Zulueta, que fica a 250 quilômetros de Havana. Ele disse que em 2005 foi preso duas vezes em menos de uma semana.

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