REUTERS/Fernando Medina
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Cubanos aprovam em referendo Constituição que apoia o socialismo

Texto ratifica caráter 'irrevogável' do socialismo como sistema social na ilha, mas abre sua economia ao mercado, à propriedade privada e ao investimento estrangeiro, tudo sob o controle do Estado

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2019 | 21h01

HAVANA - Mais de 6 milhões de cubanos votaram "sim" pela nova Constituição que apoia o socialismo na ilha, em um referendo no qual participaram 84,41% votantes do colégio eleitoral, informou nesta segunda-feira, 25, a Comissão Eleitoral Nacional. "A Constituição foi ratificada pela maioria dos cidadãos", disse em entrevista coletiva Alina Balseiro, presidente da Comissão. 

No referendo nacional, realizado no domingo, 95,8% das cédulas foram válidas. Do total de 7,8 milhões de eleitores, 6,8 milhões votaram no "sim" (86,85%) e 766.400 no "não" (9%), disse Balseiro, que qualificou o resultado de "satisfatório e favorável".

Balseiro informou que 2,53% das cédulas depositadas nas urnas estavam em branco, e 1,62% foram anuladas por diferentes motivos.

Tradicionalmente, a oposição ilegal em Cuba, onde o voto é voluntário, manifesta seu desacordo abstendo-se, votando em branco ou danificando as cédulas para que sejam anuladas.

Mas o referendo constitucional deu a oportunidade de votar no "não", e a oposição estimulou esse voto em uma campanha firme nas redes sociais.

Segundo Balseiro, 766.400 cubanos votaram no "não", 198.674 deixaram as cédulas em branco e 127.100 cédulas foram anuladas.

O governo e seus partidários implementaram uma campanha onipresente pelo "sim" nos meios de comunicação, nas ruas e em diferentes espaços.

A nova Constituição, que substitui a de 1976, deve ser agora proclamada pela Assembleia Nacional (Parlamento), em uma sessão que provavelmente será realizada em abril, e depois deverá ser publicada no Diário Oficial para entrar em vigor.

O texto ratifica o caráter "irrevogável" do socialismo como sistema social na ilha, mas abre sua economia ao mercado, à propriedade privada e ao investimento estrangeiro, tudo sob o controle do Estado.

Também reconhece o Partido Comunista (PCC) como único e como "força política dirigente superior da sociedade e do Estado". / AFP

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