Cubanos celebram Natal na expectativa da visita do papa

Fiéis cubanos que celebram o Natal dizem que têm muito a comemorar este ano, uma vez que se preparam para a chegada do papa Bento XVI, a primeira visita de um pontífice à ilha comunista desde a história visita de João Paulo II há quase 14 anos. A chegada de Bento XVI, esperada para março, coincide com o 400º aniversário do santo padroeiro de Cuba e após anos de lobby de oficiais católicos romanos na ilha.

AE, Agência Estado

25 de dezembro de 2011 | 14h48

O momento também parece recompensar um papel maior que a igreja assumiu em Cuba nos últimos anos. O arcebispo de Havana, Jaime Ortega, pessoalmente negociou a soltura de presos políticos em 2010 e 2011, e as revistas da igreja se tornaram um fórum para artigos oferecendo conselhos para os líderes cubanos no processo de reformas de livre mercado iniciado pelo presidente do país, Raúl Castro. O líder, inclusive, citou a visita de Bento XVI ao anunciar, na sexta-feira, que Cuba libertaria 2.900 detentos como um gesto humanitário, incluindo alguns presos por crimes políticos.

A última visita papal a Cuba derrubou muros que existiam entre a igreja e o governo de Fidel Castro desde os primeiros dias da revolução, quando sacerdotes foram perseguidos, e em algumas ocasiões presos, e o Estado se declarou formalmente ateu. As autoridades desencorajaram as celebrações de Natal, fecharam escolas religiosas em 1962 e barraram a entrada no Partido Comunista de pessoas que tinham crença religiosa. Muita coisa mudou desde a visita de João Paulo II.

Em vez de Fidel, Bento XVI se reunirá com o irmão mais novo dele, Raúl, de 80 anos, que teve uma relação muito menos tempestuosa com a igreja e tem às vezes escutado líderes da igreja sobre algumas das mudanças econômicas que ele está implementando.

Bento XVI também vai encontrar uma ilha muito mais à vontade com a religião do que a visitada por seu antecessor. Nos dias de hoje em Cuba, o catolicismo é praticado abertamente, inclusive por oficiais do Partido Comunista. Muitos católicos cubanos misturam a fé com aspectos da religião Santería afro-cubana. Até as igrejas evangélicas estão em ascensão na ilha. As informações são da Associated Press.

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