Alejandro Ernesto / EFE
Alejandro Ernesto / EFE

Cubanos esperam futuro melhor com acordo entre Havana e Washington

Moradores de Havana se reuniram ao redor de televisores nas casas, escolas e empresas para ouvir o histórico anúncio nacional

O Estado de S. Paulo

18 de dezembro de 2014 | 11h21

Os cubanos aplaudiram o surpreendente anúncio feito na quarta-feira de que seu país vai retomar as relações com os Estados Unidos, na esperança de que em breve os dois países mantenham relações comerciais, embora o embargo de 53 anos ainda não tenha sido levantado.

"Isso representa a perspectiva de um futuro melhor para nós", disse Milagros Diaz, de 34 anos. "Nós realmente precisamos de algo como isso porque a situação tem sido ruim e as pessoas estão desencorajadas"

Os sinos tocaram em celebração ao anúncio e professores interromperam as aulas aos meio-dia, enquanto o presidente Raúl Castro declarava ao país que Cuba vai renovar suas relações com Washington após mais de meio século de hostilidades.

Usando seu uniforme militar com uma insígnia de cinco estrelas, o líder de 83 anos disse que os dois países trabalharão para resolver suas diferenças "sem renunciar a qualquer um de nossos princípios".

Moradores de Havana se reuniram ao redor de televisores nas casas, escolas e empresas para ouvir o histórico anúncio nacional, feito ao mesmo tempo em que o presidente norte-americano Barack Obama fazia um discurso em Washington.

"Para o povo cubano, acho que é como uma injeção de oxigênio, um desejo que se torna realidade porque, com isso, superamos nossas diferenças", declarou Carlos Gonzalez, especialista em tecnologia da informação, de 32 anos. "É um avanço que vai abrir o caminho para um futuro melhor para os dois países."

Fidel e Raúl Castro lideraram a revolução de 1959 que derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista. Inicialmente, os Estados Unidos reconheceram o novo governo, mas encerraram as relações em 1961, depois de Cuba ter adotado um governo de esquerda e nacionalizado empresas norte-americanas.

Quando Cuba se aproximou da União Soviética, os Estados Unidos impuseram o embargo comercial em 1962. Desde o colapso da União Soviética, em 1991, os cubanos enfrentam escassez de vários produtos como petróleo, alimentos e bens de consumo, o que força o país a aplicar racionamentos que vão de feijão a leite em pó.

O governo cubano responsabiliza o embargo pela maioria de seus problemas econômicos. Já Washington tradicionalmente afirma que as polícias econômicas comunistas de Cuba provocam as dificuldades.

Em seu discurso, Raúl Castro pediu a Washington que encerre o embargo comercial que, segundo ele, "provocou enormes danos humanos e econômicos". / AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.