'Cubanos estão cansados das promessas'

É melhor esperar as medidas que permitirão aos cubanos viajar para o exterior entrarem em vigor para ver se realmente algo mudará na ilha. Essa é avaliação de Frank Calzón, diretor executivo do Centro para Cuba Livre, uma das principais organizações pró-democracia cubano-americanas nos EUA, em entrevista ao Estado.

Entrevista com

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2012 | 03h05

Os cubanos devem encarar com ceticismo a medida?

Em Cuba sabem que, se o Granma publica, não é verdade. Já foram feitas muitas promessas e é extremamente irônico que alguns vejam como algo bom esse decreto. Estamos no máximo regressando para a política existente desde 1902, quando Cuba ficou independente, até Fidel Castro assumir o poder há mais de 50 anos.

Portanto, na sua avaliação, não muda quase nada em Cuba?

O passaporte custa o equivalente ao salário de um ano todo de um cubano médio. Por outro lado, a filha de Raúl Castro esteve recentemente em Washington com uma ampla comitiva. Acho melhor esperar as medidas entrarem em vigor.

Como o sr. avalia a política de Obama para Cuba?

Obama iniciou com boas intenções. Por exemplo, pediu para Raúl Castro reduzir os impostos sobre remessas. Mas essa política branda não tem conseguido impedir Havana de ser agressiva. Cuba segue sendo aliado do Irã, da Síria e da Coreia do Norte. Tampouco acho boa uma política hostil. É preciso condicionar tudo. Não se pode fazer concessão sem uma contrapartida.

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