Cubanos estocam sabão antes do fim dos subsídios ao produto

Resolução do governo, que entra em vigor hoje, tira itens de higiene pessoal de caderneta de racionamento

, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2010 | 00h00

Uma grande quantidade de cubanos formou fila ontem nas lojas estatais do país para estocar sabão e pasta de dente após o governo anunciar que retirará os produtos da "libreta" de racionamento - caderneta que permite à população comprar comida e outros itens essenciais a preços subsidiados - a partir de hoje.

"Levando em conta as medidas que de forma gradual vêm sendo aplicadas para limitar os subsídios, decidiu-se suprimir a venda de produtos de higiene e asseio pessoal no mercado normatizado", informou o governo cubano.

A resolução acrescenta que a esses itens "será aplicada a formação de preços estabelecida para os produtos do mercado paralelo". Desta forma, os sabões para banho e de lavar roupa, passam de menos de um centavo de dólar (25 centavos de peso cubano) para 30 centavos de dólar (cinco e seis pesos cubanos).

"Nós cubanos somos sobreviventes", afirmou Rosa Martínez, de 70 anos, enquanto fazia compras em uma loja de Havana. "Ninguém vai parar de tomar banho porque aumentaram o preço do sabão."

Cuba investe mais de US$ 1 bilhão ao ano na importação de produtos vendidos por caderneta de racionamento ou suas matérias-primas.

Na "libreta" estão os alimentos mais consumidos pelos cubanos, mas há diferenças entre grupos de beneficiados.

Leite, carne suína e de frango, arroz, feijão e banana são a base da alimentação caribenha e os produtos mais consumidos no país. O mecanismo, um dos símbolos da revolução comunista, é a razão pela qual a esmagadora maioria da população cubana pode se manter por um mês com um salário tão baixo - em média de US$ 15.

"A caderneta não nos dá muito, mas nos proporciona a segurança de saber que pelo menos você tem parte do que precisa garantido", afirmou Isabel Lopez, de 44 anos. O caminho para eliminar definitivamente a "libreta" é gradual. Já foram retirados da cesta básica os cigarros, a batata, as ervilhas e o sal. / AFP e REUTERS

PARA LEMBRAR

Está marcado para a segunda semana de abril o 6.º Congresso do Partido Comunista Cubano, no qual serão debatidas quase que exclusivamente questões ligadas à economia. Uma das mudanças que mais afetará os cubanos é a "eliminação ordenada" da "libreta" de racionamento. Outra questão que será discutida é a necessidade de unificar a moeda na ilha. Hoje, Cuba tem duas moedas, uma das quais com cotação flutuante próxima à do dólar.

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