Cubanos lotam lojas atrás de celulares

Primeiro dia de vendas de linhas e aparelhos causa filas na ilha

AP E EFE, O Estadao de S.Paulo

15 de abril de 2008 | 00h00

Ansiosos, dezenas de cubanos fizeram filas ontem em frente dos postos da Cubacel, companhia pertencente à telefônica estatal Etecsa, para habilitar novas linhas de telefonia celular. Foi o primeiro dia em que a população da ilha pôde comprar e habilitar celulares, até então disponíveis apenas para estrangeiros, empregados de empresas não-cubanas e alguns poucos funcionários públicos. As filas chegavam a reunir 60 pessoas. Nas portas das lojas - aparelhos recém-adquiridos em mãos - os cubanos já ligavam para seus parentes na ilha e no exterior para informar o novo número. "A autorização (para a compra de celulares) é muito boa, embora os serviços sejam caríssimos", disse Iluminada Rodríguez, camponesa de 58 anos que recebeu dinheiro de parentes em Miami para adquirir sua linha pré-paga. "Com a minha aposentadoria de 202 pesos mensais (cerca de US$ 9) não podia pagar por um celular, mas sabia que minha família me ajudaria porque até agora para falar com eles dependia do telefone de um vizinho", completou. A medida havia sido anunciada pelo jornal oficial Granma no dia 28 de março, como parte de um projeto do presidente cubano, Raúl Castro, para acabar com "o excesso de restrições" à população da ilha. Ontem, nos 30 postos da Etecsa, os cubanos podiam escolher entre seis modelos de telefones que custavam entre US$ 64,80 e US$ 288,80. A partir de agora, habilitar uma linha pré-paga custará US$ 119,88. Uma chamada local para outro celular sairá por US$ 0,50 o minuto, e para uma linha fixa, US$ 0,60. Ligar para Miami custará US$ 2,91 o minuto, embora receber telefonemas do exterior seja grátis. Como o salário médio da ilha é de US$ 19, só podem comprar celular os cubanos que possuem outras fontes de renda além do que recebem das estatais - por exemplo, remessas de parentes no exterior, atividades no mercado negro ou bônus de empresas privadas. Segundo a estatal telefônica, a maioria dos compradores pretende usar os aparelhos para receber chamadas ou enviar mensagens de texto. Os cubanos também já podem transferir para seu nome os serviços contratados por meio de estrangeiros - uma prática comum até agora para driblar a proibição. No entanto, como até 8 de julho será necessária a presença do estrangeiro para mudar a titularidade da linha, a maior parte dos que compareceram às lojas da Cubacel ontem estava mesmo interessada em adquirir uma nova linha - alguns com celulares próprios e outros dispostos a comprar o aparelho. Segundo a Etecsa, hoje há aproximadamente 200 mil telefones celulares no país "em todas as condições". OUTRAS MUDANÇASA liberalização da telefonia celular foi a primeira decisão divulgada publicamente por Raúl, que assumiu o poder em fevereiro prometendo mudanças. Outras medidas já foram implementadas sem muito alarde. Nas últimas semanas, Havana levantou a proibição para que os cubanos comprem aparelhos eletrônicos como computadores e DVDs. Também anunciou que normalizará as chamadas moradias estatais - um primeiro passo para dar aos cubanos o direito à casa própria.

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