Cubanos tem reação mista sobre abolição de visto de saída

Medida foi aprovada nas ruas de Havana e recebida com cautela em Miami.

BBC Brasil, BBC

17 de outubro de 2012 | 10h48

Na segunda-feira, o governo de Cuba anunciou mudanças no sistema de vistos para os cidadãos que quiserem viajar para fora do país.

Durante mais de 50 anos, quem quisesse sair de Cuba, fosse cidadão ou estrangeiro residente no país, precisava conseguir junto às autoridades do país uma Permissão de Saída.

O setor de Imigração fornece estes documentos a um custo de US$ 350 (quase R$ 712).

Mas, a partir de janeiro de 2013, os que quiserem viajar para fora de Cuba precisarão apenas de um passaporte válido e, se necessário, do visto do país para onde pretende viajar.

A BBC percorreu as ruas de Havana e Miami, que concentra a maior comunidade de cubanos fora da ilha, para ouvir a opinião sobre a nova medida.

Havana

"É o melhor, o máximo, porque eu já saí duas vezes do país e já passei por uma tremenda burocracia e o medo permanente de conseguir ou não a Carta Branca (permissão de saída)."

Amaury Avilés

"É uma medida excelente, espetacular e muito lógica porque evita certos processos difíceis e burocráticos. Minha esposta e eu já viajamos e, seremos sempre gratos (pelo governo) de abolir este trâmite no meio (do processo)."

Ulises Fariñas

"É muito bom, para mim será uma tremenda economia de dinheiro porque, provavelmente, viajarei para a Colômbia. (E) A extensão para 24 meses do tempo para voltar (a Cuba) nos dá um tempo maior para decidir o que fazer, se fica ou se volta."

Rafaela del Llano.

"Me parece muito bom que as pessoas possam sair e viajar a todos os lugares que queiram, os que tenham dinheiro e podem sair (do país). Acho que vou aproveitar para visitar minhas irmãs em Miami, pois nunca pude ir conhecer, passear por lá."

Carina Frómeta

Miami

"Não acredito em nada que Raúl Castro diz nem em ninguém que esteja no poder neste momento. Sempre foi tudo uma mentira, realmente não entendo porque ele faz isto, para ele, supostamente, não há nenhum benefício, até que eu veja (as medidas sendo aplicadas) não poderei acreditar."

Yolanda Medina

"Isto vai ser como sempre: se você é profissional da saúde ou formado em uma universidade, você vai ter que pedir uma permissão, mesmo que não se chame Carta Branca. Com estas medidas vão se beneficiar os que nunca se graduaram em nada. Qualquer pessoa em Cuba que não seja profissional de nada pode viajar a este país e a qualquer país que quiser. Mas ele (Raúl Castro) não vai permitir que os formados em uma universidade, médicos ou engenheiros, saiam do país."

Beatriz Roque

"Minha opinião é que se deve deixar as pessoas viajarem livremente para que se tenha liberdade, isto é muito bom, as pessoas precisam viajar, ver a família aqui. Estou há um ano em Miami. Vim a passeio, gostei e, por questões econômicas, fiquei. Economicamente, minha família não pode viajar para cá: eu, porque tive a possibilidade, um amigo me convidou."

Heriberto Prado

"Minha opinião é que o governo, cada vez que a situação interna fica difícil, tenta conseguir uma válvula de escape. E (o governo) faz isto desde o começo, não é a primeira vez que toma medidas deste tipo. O governo está tendo muita resistência interna, as pessoas estão protestando devido às carências e a repressão. É uma válvula de escape, e, certamente, não é muito original."

Vicente P. Rodríguez BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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