REUTERS/Luisa Gonzalez
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Cultivos de coca na Colômbia cresceram 17% em 2017, diz ONU

De acordo com relatório anual do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, plantações ilegais da folha que é base para a produção de cocaína chegaram a 171 mil hectares, recorde desde que essas medições começaram a ser feitas em 2001

O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2018 | 16h27

BOGOTÁ - O cultivo ilícito de folha de coca na Colômbia cresceu 17% em 2017, para 171 mil hectares, enquanto o potencial de produção de cocaína aumentou 31% em relação a 2016, para 1.379 toneladas, um recorde desde que essas medições começaram a ser feitas em 2001, informou o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Onudc).

O país continua sendo o maior produtor mundial de cocaína ao registrar um aumento histórico de plantações de coca. "Quero expressar minha profunda preocupação pela quantidade de dinheiro que as drogas ilícitas movem", disse o represente na Colômbia do Onudc, Bo Mathiasen, durante a apresentação do relatório anual divulgado em Bogotá.

Em 2016, os campos de coca, cuja folha é o insumo básico para a cocaína, ocupavam 146 mil hectares. Para esse período, a capacidade de produção da droga era de 1.053 toneladas métricas. 

Mathiasen afirmo que atualmente além de haver mais plantações ela são cada vez mais produtivas em razão da variedade das plantas e por serem menos afetadas por pragas, além de um melhor manejo agrícola e de menos ações do governo - atualmente os cultivos produzem 33% mais folhas do que em 2012.

Apesar de a ONU ressaltar o aumento de 20% nas prisões de droga, correspondentes a 435 toneladas em 2017, "o ritmo é menor do que o incremento da produção potencial". "Estima-se que a produção potencial de cocaína alcançaria um valor no mercado local de US$ 2,7 bilhões", diz o relatório.

Neste sentido, a ONU declarou que tem "uma profunda preocupação pelo capital derivado da economia das drogas" que afeta os esforços para construir a paz, fortalece os grupos ilegais e danifica a estabilidade do Estado.

Fronteiras

Mathiasen alertou que as fronteiras com Venezuela e Equador são as mais impactadas pela presença das plantações de drogas.

O Estado mais afetado continua a ser Nariño, na fronteira com o Equador, que tem uma área plantada similar à área do Peru, o segundo país com mais plantações ilegais, com 43,9 mil hectares de folhas de coca no ano passado. 

Esse área é disputada pela dissidência das Farc, ex-guerrilheira comunista que no ano passado se desarmou e transformou em um partido depois de assinar um histórico acordo de paz, e gangues de narcotraficantes por seu ponto estratégico de partida de carregamentos de drogas para os Estados Unidos.

Por outro lado, 64% do aumento dos cultivos ilegais foram registrados nos Estados de Antioquia (noroeste), Cauca (oeste), Putumayo (sul) y Norte de Santander (nordeste), nos limites com a Venezuela.

Preocupação

Com esses resultados, a Colômbia se mantém como principal produtor de cocaína e com maior superfície plantada, à frente do Peru e da Bolívia (24,5 mil hectares), segundo a ONU. 

"Realmente é muito preocupante o relatório apresentado hoje pela Onudc", disse a miistra de Justiça do país, Gloría María Borrero.

Ela garantiu que o governo de Iván Duque enfrentará o narcotráfico com uma "política integral" que será revelada nas próximas semanas, com medidas que incluirão desde a prevenção até a erradicação forçada dos cultivos.

Durante a campanha presidencial, Duque disse que nos quatro anos de seu mandato terá como objetivo acabar com pelo menos 140 mil hectares de plantações de drogas.

O político de direita assumiu o poder em 7 de agosto e questionou a estratégia antidrogas de seu antecessor, Juan Manuel Santos, que combinava a eliminação de plantações com acordos de substituição voluntária dos camponeses cocaleiros. / AFP

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