Culto a Chávez não renderá dividendos para sempre

CENÁRIO: Joshua Goodman / AP

O Estado de S.Paulo

04 de março de 2014 | 02h06

Um ano depois da morte de Hugo Chávez, dezenas visitam diariamente seu mausoléu no alto de uma ladeira, de onde se vê o centro de Caracas. Ali, no quartel militar de um século atrás, onde Chávez liderou uma tentativa de golpe, em 1992, os restos do "comandante" descansam em uma tumba de mármore, guardada por soldados com o uniforme que o herói da independência, Simón Bolívar, gostava de usar.

"Todos os dias, peço a Deus que cuide da alma de Chávez", disse Raimundo Villanueva. Tal devoção tem sido uma força crucial, mas cada vez menor para o sucessor escolhido por Chávez, o presidente Nicolás Maduro. Apesar das invocações diárias a seu mentor e do controle do poderoso aparato partidário que herdou, Maduro está cada vez mais sozinho em uma batalha contra uma onda desestabilizadora de protestos que enfrenta seu governo.

Essa onda é alimentada por aspectos menos aclamados do legado de Chávez: violência fora de controle, inflação de 56% e escassez generalizada de artigos de primeira necessidade. Mesmo entre os chavistas, há aqueles que veem Maduro como uma versão inferior de Chávez, um mestre da arte dramática com uma visão contagiosa latino-americana contra o "imperialismo" dos EUA. Por isso, Maduro precisa atrair apoio para sobreviver à crise. Para ter sucesso, precisa atender rapidamente às necessidades econômicas do país. Suas honras a Chávez ainda podem causar um fervor quase religioso, mas não produzirão dividendos políticos para sempre.

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