Cunhado de Mousavi está entre presos

Mulher de opositor defende irmão e denuncia ?confissões forçadas?

AP, AFP, EFE e REUTERS, TEERÃ, O Estadao de S.Paulo

24 de julho de 2009 | 00h00

O cunhado do opositor iraniano Mir Hossein Mousavi está entre as centenas de presos durante a repressão aos protestos após a eleição presidencial de 12 de junho. O anúncio, feito pela mulher de Mousavi, Zahra Rahnavard, aumentou a tensão entre reformistas e conservadores depois da controvertida reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad.De acordo com Zahra, seu irmão Shahpour Kazemi, engenheiro de telecomunicações de 62 anos, foi detido há mais de um mês. Ela defendeu a inocência do irmão e pediu para que o governo não publique "confissões forçadas" de Kazemi e de outros presos políticos."Tentamos por todos os meios legais e pacíficos obter a libertação de Kazemi e a de outros prisioneiros'', disse Zahra. "Ele não tem ligações políticas e as alegações segundo as quais ele teria provocado tumultos ou manteria contatos com o exterior são inimagináveis."Durante os protestos, mais de 2,5 mil pessoas foram presas. Mais de 500 pessoas continuam sob custódia da política, entre reformistas, ativistas de direitos humanos e jornalistas. Dados oficiais colocam o número de mortos em 20, mas entidades de direitos humanos contestam as informações, afirmando que há muito mais vítimas.Segundo funcionários do governo, alguns dos presos confessaram trabalhar para "inimigos estrangeiros" com o objetivo de desestabilizar o Irã. A oposição desmentiu categoricamente as acusações, afirmando que as confissões foram arrancadas por tortura. "Se vocês extorquirem uma confissão de Kazemi ou publicarem centenas de artigos contra ele, nem eu nem nosso povo acreditaremos", afirmou Zahra, que tornou-se conhecida ao participar ativamente da campanha de seu marido. CONTRA A MILITARIZAÇÃOApesar das detenções de vários de seus partidários, Mousavi continua denunciando as fraudes registradas durante a votação do mês passado. Ontem, o opositor alertou para a "militarização" do país e acusou as Forças Armadas de estarem abusando de seus poderes sob a Constituição iraniana. Mousavi também anunciou que vai criar uma organização política que servirá de base para "um grande" movimento social.

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