Cunhado do novo juiz de Saddam é assassinado em Bagdá

O cunhado do novo juiz encarregado de presidir o julgamento de Saddam Hussein por genocídio foi assassinado a tiros, e seu sobrinho ficou ferido, nesta sexta-feira de manhã em Bagdá, segundo a polícia.Kadhim Abdul-Hussein e seu filho foram atacados dentro de seu carro, no bairro de Ghazaliya, na região oeste de Bagdá, segundo o tenente da polícia Thaer Mahmoud. Não ficou claro se eles foram atacados por estarem relacionados ao juiz Mohammed Oreibi al-Khalifa, que assumiu o julgamento de Saddam na semana passada, ou se foi outro caso relacionado à violência sectária que assola Bagdá. Boicote dos advogadosOs advogados de Saddam Hussein incitaram os iraquianos nesta quinta-feira a rejeitar o julgamento por genocídio do ex-ditador, acusando a corte de preconceito contra Saddam. "Conclamamos a opinião pública[...]a parar com essa farsa (da corte iraquiana) que intencionalmente feriu os sentimentos dos iraquianos, árabes e de todas as pessoas de bem, por tentar ofender repetidas vezes a dignidade de nosso presidente Saddam e de seus camaradas", afirmaram os advogados em declaração em inglês divulgada nesta quinta-feira.A declaração não diz se os advogados de Saddam continuarão a boicotar o julgamento. Eles deixaram o tribunal na segunda-feira passada para protestar contra supostas violações de procedimentos judiciais, e pela remoção do juiz-chefe original, Abdullah al-Amiri. Al-Amiri, que foi substituído na semana passada por seu vice, Mohammed Oreibi al-Khalifa, foi acusado de favorecer Saddam.Al-Khalifa nomeou advogados substitutos para que o julgamento pudesse continuar. Mas Saddam os rejeitou em uma sessão caótica nesta terça-feira, na qual o ex-ditador foi novamente expulso, assim como os outros seis réus, antes de adiar o julgamento para 9 de outubro. O novo juiz afirmou querer dar tempo aos réus para persuadir seus advogados originais a encerrar o boicote, ou a procurar novos advogados. O julgamento, o segundo de Saddam, começou dia 21 de agosto. O ex-ditador e os outros seis réus são acusados de genocídio por suas atuações durante o massacre de curdos no final dos anos 1980. Se condenados, os réus podem ser enforcados.

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