Cúpula afegã prevê retirada até 2014

Reunião em Cabul com 40 chanceleres estabelece cronograma para transferir em 4 anos o controle da segurança ao governo do Afeganistão

AP e Reuters, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2010 | 00h00

CABUL

As forças de segurança do Afeganistão assumirão o controle sobre o país até o fim de 2014, segundo a declaração final da cúpula de um dia realizada ontem em Cabul para discutir como encerrar os quase nove anos de guerra. Ao todo, 40 chanceleres e várias autoridades internacionais apoiaram o ambicioso plano do presidente Hamid Karzai para encerrar a ocupação do Afeganistão. A retirada da Otan já teria início neste ano.

Embora tenha recebido amplo apoio e conste explicitamente no texto final da cúpula, o prazo de 2014 não é vinculante - ou seja, ele não obriga as partes signatárias. Mais de 150 mil soldados estrangeiros estão atualmente no Afeganistão. Mesmo assim, espera-se que o texto consiga aplacar a crescente oposição doméstica no Afeganistão, EUA e Europa à guerra.

O cronograma ainda depende diretamente do sucesso da campanha que tropas americanas conduzem na região de Kandahar, principal reduto do Taleban, no sul do país. Forças ocidentais acreditam que o avanço militar forçará militantes ligados ao Taleban a depor as armas.

Grupos insurgentes, porém, voltaram ontem a mostrar que os planos da comunidade internacional enfrentarão grandes resistências. O avião que transportava o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o ministro das Relações Exteriores da Suécia, Carl Bildt, teve de ser desviado para uma base militar americana, depois que um ataque de morteiro destruiu parte da pista onde a aeronave deveria pousar.

Um imenso aparato de segurança foi montado na capital afegã para proteger as autoridades, incluindo o fechamento de todo comércio, prédios públicos e avenidas. Apesar das medidas, o Taleban conseguiu disparar pelo menos cinco morteiros na região do aeroporto e na área exclusiva por onde transitavam as delegações estrangeiras.

Doações. No encontro, líderes internacionais comprometeram-se a delegar mais poder para o governo afegão. Em troca, Karzai disse que reforçará os mecanismos de controle do Estado e de combate à corrupção.

"As Forças Nacionais de Segurança do Afeganistão deverão liderar e conduzir as operações militares em todas as províncias até o fim de 2014", prevê a declaração. Karzai disse ainda que o fim da ocupação estrangeira em quatro anos é um objetivo que "tem e deve" ser alcançado.

Rivais históricos como Irã e EUA participaram da cúpula em Cabul. Além do cronograma de retirada, os países comprometeram-se a aumentar em 50% as doações para programas de desenvolvimento do Afeganistão e ultrapassar a cifra de 300 mil soldados e policiais treinados.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, reconheceu que o plano delineado na conferência é extremamente ambicioso. "Sabemos que o caminho não será fácil", disse Hillary. "Cidadãos de vários países representados aqui, incluindo o meu, questionam até mesmo se o sucesso é possível - e se todos estão comprometidos em alcançá-lo", completou.

A Casa Branca pretende reverter até julho a escalada de tropas que promoveu no início do ano no Afeganistão, quando o presidente Barack Obama decidiu enviar 30 mil soldados adicionais ao país. Dentro de um ano, portanto, os EUA iniciariam uma redução gradual de seu contingente em território afegão.

Em condição de anonimato, uma autoridade da Otan disse à agência Associated Press que os demais países da aliança também poderão deixar para julho o início da retirada. Segundo a fonte, as forças afegãs não estão prontas para assumir o controle total da segurança.

Pontos chave

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