Cúpula afegã prevê retirada de tropas até 2014

As forças de segurança do Afeganistão assumirão o controle sobre o país até o fim de 2014, segundo a declaração final da cúpula de um dia realizada ontem em Cabul para discutir como encerrar os quase nove anos de guerra. "As Forças Nacionais de Segurança do Afeganistão deverão liderar e conduzir as operações militares em todas as províncias até o fim de 2014", prevê a declaração. A retirada da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) já teria início neste ano.

AE, Agência Estado

21 de julho de 2010 | 08h58

Ao todo, 40 chanceleres e várias autoridades internacionais apoiaram o ambicioso plano do presidente Hamid Karzai para encerrar a ocupação do Afeganistão. Embora conste explicitamente no texto final da cúpula, o prazo de 2014 não é vinculante - ou seja, ele não obriga as partes signatárias. Mais de 150 mil tropas estrangeiras atualmente estão no Afeganistão. Mesmo assim, espera-se que o texto consiga aplacar a crescente oposição doméstica no Afeganistão, nos Estados Unidos e na Europa à guerra.

O cronograma ainda depende diretamente do sucesso da campanha que tropas norte-americanas conduzem na região de Kandahar, principal reduto do Taleban, no sul do país. Forças ocidentais acreditam que o avanço militar force militantes ligados ao Taleban a depor as armas. Porém, grupos insurgentes voltaram ontem a mostrar que os planos da comunidade internacional enfrentarão grandes resistências.

O avião que transportava o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, e o ministro das Relações Exteriores da Suécia, Carl Bildt, teve de ser desviado para uma base militar norte-americana, depois que um ataque de morteiro destruiu parte da pista onde a aeronave deveria pousar.

Um imenso aparato de segurança foi montado na capital afegã para proteger as autoridades, incluindo o fechamento de todo comércio, prédios públicos e avenidas. Apesar das medidas, o Taleban conseguiu disparar pelo menos cinco morteiros na região do aeroporto e na área exclusiva por onde transitavam as delegações estrangeiras.

No encontro, líderes internacionais se comprometeram a delegar mais poder para o governo afegão. Em troca, Karzai disse que reforçará os mecanismos de controle do Estado e de combate à corrupção. O presidente do Afeganistão disse ainda que o fim da ocupação estrangeira em quatro anos é um objetivo que "tem e deve" ser alcançado. Rivais históricos como Irã e EUA participaram da cúpula em Cabul.

Desenvolvimento

Além do cronograma de retirada, os países comprometeram-se a aumentar em 50% as doações para programas de desenvolvimento do Afeganistão e ultrapassar a cifra de 300 mil soldados e policiais treinados. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, reconheceu que o plano delineado na conferência é extremamente ambicioso. "Sabemos que o caminho não será fácil", disse. "Cidadãos de vários países representados aqui, incluindo o meu, questionam até mesmo se o sucesso é possível - e se todos estão comprometidos em alcançá-lo", completou.

A Casa Branca pretende reverter até julho a escalada de tropas que promoveu no início do ano no Afeganistão, quando o presidente Barack Obama decidiu enviar 30 mil soldados adicionais ao país. Dentro de um ano, portanto, os EUA iniciariam uma redução gradual de seu contingente em território afegão. Sob a condição de anonimato, uma autoridade da Otan disse à Associated Press que os demais países da aliança também poderão deixar para julho o início da retirada. Segundo a fonte, as forças afegãs não estão prontas para assumir o controle total da segurança.

Tudo o que sabemos sobre:
Afeganistãoguerracúpularetirada

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.