Cúpula africana pressiona Mugabe

Embora evitem condená-lo, líderes reunidos no Egito pedem que presidente zimbabuano negocie com oposição

AP E AFP, O Estadao de S.Paulo

01 de julho de 2008 | 00h00

Líderes africanos reunidos ontem no Egito ignoraram pedidos da comunidade internacional para condenar publicamente o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, mas lançaram um apelo para que ele negocie com a oposição. Mugabe - que está no poder desde 1980 e assumiu no domingo seu sexto mandato, após uma contestada votação na qual foi candidato único - está sob pressão também na ONU, onde os EUA começaram a discutir a imposição de sanções ao Zimbábue.Na abertura da cúpula da União Africana (UA) no balneário egípcio de Sharm el-Sheik, a maioria dos governantes falou sobre os "desafios" no Zimbábue, mas ninguém criticou diretamente Mugabe. "Acolhemos Mugabe como herói", disse o presidente de Gabão, Omar Bongo. Um projeto de resolução redigido por chanceleres da UA, que deve ser aprovado hoje, também não critica Mugabe nem o segundo turno da eleição presidencial - realizado sexta-feira e considerado uma farsa pelos EUA -, mas recomenda que o presidente dialogue com o líder da oposição, Morgan Tsvangirai. O governo sul-africano pediu pela primeira vez uma reunião entre Mugabe e Tsvangirai para discutir a formação de uma coalizão. Tsvangirai retirou-se da disputa presidencial no dia 22, em meio a uma campanha de violência contra a oposição. Desde então, está refugiado na embaixada holandesa em Harare. Tsvangirai afirma que mais de 90 de seus partidários foram mortos desde o primeiro turno, em 29 de março. Ele pediu ontem que os líderes da UA não reconheçam o resultado do segundo turno.Grande parte dos líderes africanos tem laços estreitos com Mugabe e o respeita por sua atuação na guerra da independência do Zimbábue. Por isso, eles têm dificuldade em condenar as ações do presidente. No entanto, nem todos os dirigentes mantiveram silêncio sobre a situação. O primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, pediu que a UA suspenda Mugabe. "Eles deveriam suspendê-lo e enviar forças de paz ao Zimbábue para garantir eleições livres e justas", afirmou Odinga em Nairóbi. O presidente queniano, Mwai Kibabi, porém, disse que a única solução é um governo de coalizão.SANÇÕESO governo americano redigiu um projeto de resolução no Conselho de Segurança da ONU prevendo novas sanções contra o Zimbábue. O documento contém um embargo de armas e medidas individuais contra acusados de prejudicar o processo democrático no país. A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, disse que os EUA estão prontos para impor novas sanções diplomáticas e econômicas em "uma ou duas semanas".

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